Sou um dinossauro. Ou talvez seja mais correto dizer que pertenço a uma profissão jurássica e que, como tipógrafos, ascensoristas e telegrafistas, estou fadado à extinção.
Não, não creio estar exagerando. Nos últimos dias, dois incidentes particulares me levaram a refletir sobre a natureza do que faço e seu prazo de validade enquanto atividade profissional: o primeiro foi o breve e desconfortável debate entre o colunista David Carr e seu colega de New York Times, o crítico de cinema A.O. Scott; o segundo, o anúncio da demissão (e extinção do cargo) da crítica Stephanie Zacharek, que escrevia para o site Movieline. Curiosamente, conheço os três pessoalmente, tendo conversado brevemente com Carr e mais extensamente com Scott e Zacharek quando participei do seminário de crítica promovido pelo NYT em 2007, mas não creio que o impacto destes acontecimentos tenha a ver com qualquer grau de pessoalidade originado desta coincidência, mas sim com o triste estado da curiosidade intelectual que venho observando nos últimos anos.
Esta não é uma discussão nova, claro. Já em 2001, quando tinha apenas sete anos de profissão, escrevi dois artigos que buscavam esclarecer a função e a formação do crítico cinematográfico de acordo com a visão que tinha (e tenho) sobre meu papel profissional: “Pra que serve o crítico, afinal?” e “Formando um crítico de cinema“. Anos depois, voltei ao tema em posts como “Pra que serve a crítica?” e “Crepúsculo, Pevere, Rosembaum, Kael, Rossmeier, Atkinson” – e, sinceramente, hoje percebo a futilidade do esforço. Quem compreende o papel da crítica não precisa de maiores esclarecimentos; aqueles que a encaram como “questão de opinião” já interromperam a leitura no segundo parágrafo.
Considerem este post, portanto, como uma reflexão interna publicada como forma de terapia, como uma forma de negociar internamente meu valor e meu destino, representando, assim, o terceiro passo rumo à aceitação de meu fim profissional, tendo já passado pela negação e pela raiva (e mal posso esperar para chegar à “depressão”).
De imediato, o óbvio: não existo como árbitro do que é “bom” ou “ruim”. Nunca acreditei no papel do crítico como guia de consumo, como alguém que existe para dizer o que o leitor deve consumir culturalmente ou não. Escrevi várias vezes (e insisto no ponto) que, num mundo ideal, todos deveriam ver todos os filmes – incluindo aqueles que desprezo, já que, no mínimo, a bagagem adquirida passaria a funcionar como base de comparações futuras (além de sempre podermos aprender através de contra-exemplos). Assim, quando leio comentários em meu videocast sobre Prometheus que “alertam” os demais leitores para que não deixem de ver o filme “por causa deste imbecil”, sinto vontade de perguntar em que momento, em minha fala, sugeri que o filme fosse boicotado. Nunca sugeri boicote e jamais o faria – e apontar o crítico como alguém que se julga no direito de ditar o gosto alheio é uma das grandes falácias daqueles que detestam nossa profissão.
Mas o contrário também é verdadeiro: vira e mexe, alguém me envia um email ou tweet com o claro propósito de me elogiar e dizendo que sou seu “crítico favorito, já que sempre concordamos”. Sinto dizer (e aprecio a gentileza do gesto), mas isto não é um elogio. O que a afirmação implica é que meu valor está associado à minha capacidade de prever a reação do leitor e de passar a mão sobre sua cabeça, aprovando seus gostos. Aliás, acredito exatamente no oposto: o bom crítico é aquele que desafia seus leitores. Não como alguém “do contra”, mas como um profissional que estudou a Arte, viu mais filmes e, portanto, pode apontar elementos que passaram despercebidos ao espectador.
E a palavra-chave, na frase anterior, é “estudou”.
É extremamente comum ouvir, como resposta a uma crítica, que esta representa “apenas uma opinião”, sugerindo, com isso, que todas as “opiniões têm mesmo valor”. Este, claro, é o reduto do medíocre: em vez de apresentar argumentos que embasem suas posições, julga mais simples e confortável apenas afirmar que sua posição é tão válida quanto a de qualquer um apenas porque… ora, porque ele a sentiu ou intuiu. Há, ainda, quem apele para o lugar-comum do “é uma questão de gosto”, o que, em seu centro, é apenas uma variação menos elaborada (se é que isto é possível) do “toda opinião é igualmente válida”.
O que estas pessoas não percebem é que estão falando de algo diferente: da reação a uma obra de arte. Um filme pode provocar o choro em um e o riso em outro – e o crítico que tentar desmerecer a reação do espectador em vez de buscar analisar como a obra a provocou estará cometendo um erro básico (e é por esta razão que não acredito que o bom crítico se deixa influenciar pela reação da plateia ao seu lado; seu foco deve estar naquilo que se encontra na tela, não no público que a contempla). Assim, quando alguém que despreza a crítica acusa a profissão de “ser do contra”, de “sempre diferir do gosto popular”, está reagindo não contra a argumentação do texto, mas à ideia (que não vem do crítico, mas dele mesmo, espectador inseguro) de que ele seria estúpido por ter tido reação diferente. Quanto a esta questão, meu amigo (e crítico fabuloso) Jim Emerson escreveu:
“A Crítica é mais do que a afirmação de um gosto pessoal. (…) Filmes são experiências emocionais (entre outras coisas) e as pessoas respondem a eles emocionalmente. Espera-se dos críticos, porém, que mergulhem mais fundo, que analisem, expliquem e interpretem.”
Ao contrário do que muitos parecem pensar (“esse cara adora falar mal de tudo!”), não encaro a crítica como um exercício de masoquismo, como a oportunidade de me torturar ao ver e escrever sobre filmes que sei que detestarei. Antes de ser crítico, sou um profundo apaixonado pelo Cinema (todo bom crítico o é) – e quando entro numa sala de projeção, preparo-me para ser encantado pela obra que verei. Se posteriormente publico uma crítica negativa, não o faço por prazer, mas por obrigação profissional de articular racionalmente algo que me desagradou ou desapontou – e o inverso é igualmente verdadeiro: a crítica positiva é a manifestação racional do amor experimentado diante da Arte.
E desta vez a palavra-chave é “racional”. Sim, claro que “sinto” ao ver um filme. Choro feito um bebê com frequência no cinema (para imenso constrangimento de meu filho), rio alto de boas tiradas e me contorço na poltrona diante de uma cena tensa. No entanto, se ao escrever sobre o que vi acabar me limitando a descrever o que senti (“Chorei muito!”, “É emocionante!”, “Que filme divertido!”, “Dá muito medo!”), terei escrito um texto que valerá para uma única pessoa: eu mesmo. Descrever sentimentos é a opção populista do crítico sem embasamento teórico; o bom profissional irá além: explicitará como os realizadores dispararam aquelas emoções em seu público ou por que falharam ao tentar fazê-lo.
Daí a importância do estudo e da bagagem. Ninguém daria ouvidos a um especialista em economia que jamais houvesse estudado o assunto ou a um correspondente de guerra que jamais houvesse saído do estúdio. Da mesma forma, o que diferencia o crítico do espectador “médio” (um termo que uso não de forma pejorativa, como muitos parecem querer acreditar, mas como descrição objetiva de alguém que encara o cinema como passatempo descartável e não tem interesse em enriquecer sua experiência como cinéfilo) é o conhecimento sobre teoria, linguagem e história cinematográficas.
E só isto já desqualifica a posição de que “toda opinião é igual”, já que o que realmente importa são os argumentos que embasam cada opinião. Dizer que a fotografia de um filme “é boa” ou que este é “bem montado” nada significa; é uma afirmação vazia que não diz nada – e é por isso que o bom crítico empregará exemplos retirados do próprio longa para justificar suas posições, frequentemente usando as observações disparadas pelo lançamento da semana para discutir elementos que dizem respeito ao Cinema de modo geral.
(Aliás, se comentei antes que dizer que sou um bom crítico “porque sempre concordo com sua opinião” é um elogio vazio, devo reconhecer que sempre fico lisonjeado quando vejo alguém tuitar ou “facebookar” que irá ler algumas de minhas críticas antigas apenas pelo prazer de visitá-las. “Confesso que não tenho curiosidade de ver todo filme que entra em cartaz, mas adoro ler todas as críticas que você publica, mesmo sem ter visto o longa em questão”, escreveu um leitor outro dia, naquele que provavelmente é o maior elogio que já recebi justamente por apontar que o texto tem valor como análise cinematográfica em si, não como guia prático de consumo.)
Porém, em vez de aproveitarem o conhecimento do crítico para talvez aprenderem um pouco mais sobre a Arte, há muitos que preferem apenas vê-lo como alguém “arrogante”, como um “pseudo-intelectual” (a “ofensa” que é marca registrada daquele inseguro quanto ao próprio intelecto ou à própria cultura); é mais fácil acreditar, por exemplo, que fingi ter apreciado A Árvore da Vida do que reconhecer o próprio comodismo ao sequer tentar entender o filme de Malick. Quanto à “arrogância”, retorno a palavra a Jim Emerson:
“(É necessária) uma certa forma de arrogância para se fazer um filme, para se apresentar em público ou diante da câmera e para escrever uma crítica. (…) Dizer que alguém do showbiz (e isto inclui as pessoas que escrevem sobre ele) está exibindo ‘arrogância’ é como dizer que um bombeiro está exibindo ‘coragem’ ao entrar em um prédio em chamas. Você não poderia desempenhar seu trabalho sem ela. Mas não basta a arrogância. Preparo e experiência também são necessários.”
E é exatamente por isso que jamais me defendi da acusação de “arrogância”: desacompanhada de estudo, é reprovável; embasada por argumentos, é o que me permite ter a “audácia” de publicar o que escrevo para consumo alheio.
Nada disso interessará por muito mais tempo, porém. A ideia de que “na internet, todo mundo é crítico” é o que parece dominar – mesmo que, como discuti acima, o estudo, a bagagem e a experiência sejam fundamentais ao definir o autêntico “crítico”. Infelizmente, como escrevi no twitter, hoje o que importa é o hype, não o pensamento crítico.
A crítica cinematográfica desaparecerá ao lado dos filmes legendados. Morreremos afogados nos braços um do outro, como expressões ultrapassadas do amor e do respeito incondicionais pela Sétima Arte.
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P.S.: Se você leu este post na íntegra, não precisava ser convencido(a) do valor da crítica; está habituado(a) a ler e aprecia a discussão racional – e mesmo que tenha discordado de tudo que escrevi, certamente terá capacidade de articular esta discordância. O problema reside naqueles que pararam no título ou no segundo parágrafo, deram um “page down” para ver o tamanho do texto, ficaram com preguiça e abandonaram a página. E como estes representam a maioria, a crítica permanecerá condenada por mais que a defendamos.
P.P.S.: Se você leu este “P.S.” ao finalizar o rápido “page down”, vestiu a carapuça e decidiu comentar negativamente apenas para fingir que leu tudo, a fragilidade dos seus argumentos te denunciará. Nem tente.



Pablo, acompanho suas críticas há pelos menos uns 7 anos e venho aprendendo com vc, cada filme que eu assistia procurava elevar minha experiência percebendo os detalhes que vc sempre pontua nas críticas. Fico triste em perceber que a maioria das pessoas atualmente não valoriza o cinema como arte (vc mesmo já citou isso), para elas é só mais um divertimento. Por outro lado quero crer que ainda existem pessoas que sabem valorizar a arte cinematográfica, e mesmo quando ruim (afinal existem quadros, esculturas, músicas ruins) o cinema não seja desmerecido. Neste sentido está o papel de críticos como vc que por estudar continuamente, pode nos trazer informações e nos ensinar mais sobre cinema, enriquecendo a nossa experiência. Saiba que eu procuro sempre falar sobre cinema, sobre os bons filmes e recomendar que leiam mais, porque além de arte eu considero o cinema um importante registro histórico de uma época, que reflete o comportamento político, social e econômico do mundo durante o tempo. Pra mim o cinema é diversão, sem dúvida, mas também é arte, história e conhecimento. E muito dessa visão eu aprendi com vc, por favor, não abandone a crítica de cinema! Abraços
Uau! Texto incrível.
No entanto, Pablo, sou obrigado a discordar. A crítica não vai morrer – e os filmes legendados também não. Digo isso tendo como base a própria internet. Se por um lado ela amplificou a voz e o discurso de gente que diz que “toda opinião é igual” e que “na internet todos são críticos”, por outro ela possibilitou que pessoas, cada vez mais jovens, pudessem se aprofundar no exercício da crítica e nas entranhas do cinema.
Participo de alguns grupos no Facebook e leio uma dúzia de blogs que não tem nada de vazio-superficial. Pelo que observo, noto que os autores conhecem o que falam (tanto o filme como obra fechada como os precedentes/história/correntes cinematográficas) e fazem isso bem. Enxergo neles, na verdade, exatamente o oposto do que você: há argumentos, ilustrações sólidas relacionadas ao que é dito e, mais do que tudo, o esforço e a tentativa de conhecer-entender o cinema.
Talvez as pessoas a que me refiro sejam minoria (e provavelmente são), mas sim, elas existem. E por mais que os outros tentem questionar/anular o valor delas, bem, não conseguirão, acho eu, porque sempre haverá pares. Da mesma forma que a crítica existe na mídia impressa e que os detratores estão em maior número, acho que o mesmo acontecerá nesse espaço.
A qualidade da informação continuará tendo peso. (E eu espero que seja assim por muito e muito tempo.)
Confesso não ser um leitor frequente das suas críticas, Pablo. E também confesso em alguns momentos ter julgado opiniões suas, ou mesmo atitudes em outras ocasiões, sem te conhecer. Por isso peço sinceras desculpas.
Como comentado aqui em cima pelo Thiago Dantas, discordo de que a profissão de crítico esteja em extinção. Ao contrário dos ascensoristas e dos telegrafistas, ainda há espaço para o crítico porque há sim ouvidos (ou olhos) dispostos a ler.
Achei bastante interessante seu comentário sobre a ‘arrogância’. Nunca tinha parado pra pensar que é realmente algo necessário, como a ‘coragem’ do bombeiro ao entrar num prédio em chamas. O que muitos veem como pedantismo nada mais é do que aplicação do conhecimento adquirido por anos de vivência e estudo da Sétima Arte.
No mais, repito o que disse no início: o crítico não desaparecerá. Pois após este texto, você ganhou mais um leitor assíduo.
Achei bom o debate ente Scott e Carr. Este fazendo claramente papel de advogado do diabo.
Para mim só reafirma a relevância e resiliência da crítica. O que fizeram brevemente e vc fez em parte neste texto foi uma análise crítica da crítica, algo necessário.
A crítica (como os filmes legendados), não morrerá, mas será, como sempre, para uma minoria e não para a média.
Pablo, o papel do crítico tem e sempre terá importância, desde que feito com profissionalismo. Leio suas críticas há algum tempo e respeito e observo o que você escreve. Infelizmente, assim como há leitores que pouco entendem, mas querem impor suas opiniões, sem qualquer fundamento, também há críticos supérficiais e despreparados(não é o seu caso). Fique certo que a crítica inteligente sempre terá importância para quem está interessado em aprender e melhorar seus conhecimentos.
“A crítica cinematográfica desaparecerá juntamente com os filmes legendados. Morreremos afogados nos braços um do outro, como expressões ultrapassadas do amor e do respeito incondicionais pela Sétima Arte.”
Obrigado.
Pablo, acompanho seu trabalho e o Cinema em Cena desde que conheci você no mIRC (é, nos primórdios da internet, ainda no final no milênio passado!). Espero que você esteja errado – sou cinéfilo incorrigível, não posso viver sem o trabalho de críticos como você e, principalmente, sem filmes legendados. Assim como outros comentaram, gosto de ler suas críticas mesmo de filmes que não assisti – Crepúsculos, Transformers e afins. E, para os filmes que vi, já há algum tempo passei a ler suas críticas apenas depois de assistir ao filme. Dessa forma, reflito sobre os seus comentários, lembro de aspectos que deixei passar, percebo em que concordo com você e em que discordo – e evito ser influenciado, antecipadamente, pela sua sempre embasada crítica. Aguente firme aí, por favor! Ainda preciso fazer o seu Curso!! Um abraço, bom trabalho.
Relembrando uma crítica antiga do Pablo, todos deveriam assistir “Ratatouille” para entender um pouco mais da profissão de crítico.
Prezado Pablo
Eu acredito no papel do crítico de cinema como guia de consumo, principalmente para quem gosta verdadeiramente de cinema. O tempo das pessoas para a arte e o lazer está cada vez mais escasso, a acessibilidade a filmes está cada vez maior, ver todos os filmes é impossível e não perder tempo com filme ruim e/ou banal é muito desejável. Portanto, fazer uma boa escolha em um mar de oportunidades tem valor. Quando a única acessibilidade de que eu dispunha era o cinema da minha cidade, eu não precisava muito do “guia de consumo”. Hoje eu preciso. Não houvesse os críticos, os consumidores médios de cinema não saberiam que, por exemplo, “Cidadão kane” é um filme obrigatório. Não estou dizendo que o conhecimento de um bom crítico, derivado do estudo e da quantidade enorme de filmes bons e ruins assistida não seja fundamental para ele ser considerado um “guia” confiável. Muito pelo contrário.
Um abraço e sucesso eterno
Que bom que você está errado. A crítica cinematográfica não irá desaparecer e nem os nem filmes legendados. Creio que é justamente a internet e a pessoas como você que manterão essas artes vivas. Recentemente li uma critica em um site famoso por ai, foi incrível ver as pessoas exigindo argumentação do critico que se limitava a dizer que o filme falava sobre sexo e nada mais. Exigiam esse amor a arte que você tem e passou a outras pessoas (e eu digo que foi lendo suas criticas e assistindo seus videos que pude aproveitar muito mais as experiencias cinematográficas, televisivas e musicais e por isso agradeço).
Você está extremamente equivocado ao se deixar levar por essas pessoas que dizem que critica é uma questão de opinião. Acredite: ainda há aqueles que amam a arte da música, da Tv e do cinema, ainda há aqueles que choram feito bebes em um cinema, eles estão ai sim. É bonito ver esse seu amor a profissão e nem consigo imaginar a dor que você sente agora, mas o cinema ainda vive meu amigo e somos gratos a isso!
Só não concordo com a parte que você diz que é bonito…
Penso e repito, não leio crítica para me guiar, leio por prazer, para saber se o que foi dito passou despercebido por mim ou não, discordo algumas vezes, e acho isso ótimo, os argumentos contra, tenho os que são a favor.
Interessante como nesses tempos em que a informação viaja na velocidade da luz, a profissão do (bom)crítico de cinema se popularizou e agora dá sinais de “cansaço” como descrito no texto do Pablo. Mas acho isso uma fase. Sempre haverá espaço para excelentes profissionais, novas mídias surgirão, o cinema será cada vez mais acessível e cada vez mais pessoas buscarão e pagarão por informação de “Qualidade”. Basta que para isso, existam Críticos Qualificados, como você, Pablo! Siga em Frente!
Pablo, se você estiver certo em sua previsão (e torço para que não esteja), então um terceiro amigo a morrer abraçado junto com o crítico de cinema e os filmes legendados são os livros. Afinal, essa tendência tem como causa a preguiça de ler que a grande maioria das pessoas tem.
Engraçado,há alguns anos atrás, assisti a um filme em que cientistas traziam à vida animais já extintos! Eles coletavam material genético do sangue de mosquitos que estavam aprisionados em uma resina fóssil, chamada “âmbar”.Os cientistas eram financiados por uma magnata que adorava parques temáticos e que cresceu impressionado pelos antigos “circos de pulgas”.Na nossa vida extinguem-se, formas de pensamento, pessoas e até profissões.E mesmo antes da morte dar seu veredito, temos a oportunidade de perpetuar a vida. As sementes que contém a essência dos textos do Pablo, já foram plantadas em milhões de corações cinéfilos pelo mundo.E se tudo acabar mesmo em 2012, quem sabe em um futuro longínquo, um velho magnata,cansado de assistir a espetáculos falsos resolva resgatar uma antiga profissão? Tenho certeza de que o primeiro lugar a procurar será nos arquivos do “Cinema em Cena”, pois lá estará o âmbar com o mosquitinho que picou o Pablo Vilaça.
Bons filmes a todos!
Acredito que todas as ideias que você desenvolveu nesse texto já tinham sido feitos em outros. Digo uma coisa: se todas as pessoas pudessem ver todos os filmes, sua profissão já estaria extinta. Sinto dizer, mas a grande maioria das pessoas que busca uma crítica o faz para decidir se vale ou não a pena usar seu tempo e dinheiro assistindo determinada produção, ainda que o papel da crítica não se resuma a isso.
Obs: as pessoas que te acusam de “arrogância” geralmente o fazem em nível pessoal, e não profissional. Não confunda as coisas.
Olha, Pablo, confesso que estou com muito medo! Esaa história de dar voz à imbecilidade reinante nos quatro cantos de nosso país, me deixa preocupado, justamente no que se diz respeito à critica cinematográfica, onde existem poucos e quixotescos críticos com embasamento para expor seus trabalhos na esperança de contribuir no crescimento intelectual de cinéfilos sedentos de um melhor conhecimento da técnica existente na construção de um filme e, que por força de uma intenet “democrática” nos mistura com a pior espécie de intelectualóides que nunca leram uma página de jornal e opinam num mesmo patamar de uma pessoa instruída. Isto é preocupante. Acho que temos de separar o joio do trigo, e não dar ouvidos àqueles analfabetos que não sabem separar uma crítica de uma opinião.
Meu caro amigo Pablo,
Assim como a maioria (pelo menos aqueles que aqui se manifestaram) também li o texto na íntegra.
Tenho apenas duas ponderações:
1. Não desista, nem desanime, nem se deixe abater por comentários passionais, repletos de juízos de valor e preconceitos. Uma vez tive a felicidade de conversar pessoalmente durante muitas horas com um crítico ganhador do prêmio Pullitzer, o prof. Lloyd Schwartz, que me disse o seguinte:
“- Historicamente, o crítico surgiu para atender os interesses de uma burguesia que acabara de chegar ao poder e não tinha referência do que era ‘bom’ ou ‘ruim’em termos de fruição artística. É por isso que o papel do crítico sempre foi, ou pelo menos deveria continuar sendo, o de apontar MÉRITOS e DEFEITOS de qualquer obra – seja um quadro, uma música, um filme, uma peça de teatro etc.”.
Isso você já faz primorosamente bem. Também adoro ler suas críticas mesmo sem ter visto os filmes. Aprendo muito, sempre.
2. A relação entre a arrogância do crítico e a coragem do bombeiro é perfeita. Finalmente encontrei “o” argumento definitivo para aqueles que também me julgam a priori, antes mesmo que eu termine uma apresentação de stand-up (que faço há 9 anos, antes de virar modinha por aí). No entanto, tenha cuidado: não estamos imunes, jamais, a entrar numa sala de cinema com predisposição NEGATIVA – ainda que passageira – em relação a determinado filme. Confesso que os “blockbusters” têm esse efeito em mim, pelo menos. Claro que o primeiro filtro é o da EMOÇÃO; e esta, meu caro, muitas vezes nos foge completamente ao controle… como seu filho pode muito bem testemunhar, certo?
Enfim, relaxe, respire fundo e mantenha o foco naqueles que VALORIZAM a qualidade de suas críticas. Sempre.
Grande abraço!
Cheguei a me emocionar, de verdade! Tocou-me profundamente essa sua reflexão de sua profissão. Te acompanho desde meus (acredite!) 11 anos de idade quando nem mesmo sabia o que era cinema, mas achei o site legal… Tenho atualmente “quase” 18 anos e ainda te admiro PROFUNDAMENTE. Acredite ou não só confio nas suas análises (nenhum outro crítico satisfaz aos meus anseios sobre um filme); e como citou A Árvore da Vida, sua crítica ali foi, como posso descrever, SUPER. Parabéns pela profissão (exercida com excelência por ti) e que (acreditando ou não nEle) Deus te abencoe!
Ótimo texto! Acredite ou não, mas comecei a me interessar de verdade pelo cinema quando li suas críticas. Eu percebia que não absorvia nem metade do conteúdo que o filme tinha para passar. Suas críticas eram como aulas sobre cinema. Foi ai que eu realmente comecei a me sentir atraído por aquela arte que eu subestimava. Hoje, se tem uma coisa que eu amo fazer é assistir filmes. Tudo por causa do potencial dos seus textos que me levou ao interesse em conhecer melhor sobre o cinema.
Comecei a levar suas críticas para a sala do cinema para que eu pudesse lê-las logo no final do filme. Aos poucos comecei a observar e analisar os filmes de forma mais aprofundada, o que só aumentava minha admiração pela Sétima Arte.
Se não fosse por suas críticas, eu nunca teria me apaixonado pelo cinema. Obrigado, Pablo.
A crítica cinematográfica dificilmente vai morrer. Ao contrário, acho que ela tende a se fortalecer, no sentido de que a minoria que acompanha (sempre será minoria) vai crescer em função das facilidades das redes sociais.
Essa sensação do Pablo talvez venha em função do maior acesso global as críticas cinematográficas através de facebook, twitter e etc… E consequentemente um maior número de pessoas que agora pode demonstrar aversão a esse trabalho e terem grande visibilidade.
Não acho que as pessoas estejam cada vez mais com argumentos “anti-críticos”, mas sim, que as redes sociais estejam colocando esse tipo de gente muito mais em evidência.
Temos que aceitar que, não só o crítico cinematográfico, mas a maioria dos profissionais de humanas (letras, filosofia, história, sociologia, etc…) estão sujeitos ao fatídico “é só uma opinião, sua opinião não vale mais do que as outras”. Mas é algo que devemos aceitar, seguir em frente, e abraçar o lado bom disso, que é justamente a de aumentar a minoria que gosta de crítica através das redes sociais.
No texto eu também não concordei com a questão do guia do consumo. Por que não poderia ser função do crítico? Eu acesso frequentemente o cinema em cena e busco sugestões de filmes que foram bem avaliados por lá. E tem me ajudado bastante. Nem sempre concordo com as notas, mas fico seguro de que é muito provável que aquilo se trata de um bom produto no mínimo.
Espero que o ótimo trabalho continue sendo feito.
Pablo,
Eu leio suas críticas há muito tempo, muito tempo mesmo. Não sei dizer quanto, mas no mínimo uns 10 anos. Também acompanho o twitter e todas as discussões que rolam nele. Por não ser da minha natureza, nunca posto nada. Apenas leio, reflito, concordo ou discordo e com isso posso dizer que hoje devo a você uma boa parcela da meu discernimento como cidadão.
No início eu era um dos que o achavam arrongante, principalmente ao postar uma crítica arrasando um filme que eu adorei. Mas aos poucos fui percebendo tudo isto que você disse nesse post, do trabalho do crítico e tudo o mais. Parabéns pelo ótimo post, aliás, parabéns por todas as centenas de ótimos posts e críticas e twittes que li esses anos todos. Contudo não condordo com algumas de suas ideias (desculpa se o termo “ideia” não é apropriado, uso-o na falta de um melhor).
Umas das “ideias” que não concordo é sobre os filmes dublados. Deixando claro que prefiro legendado, mas não achei correta a relação entre legendas com leitura de livros, pra mim são coisas completamente distintas. Uma pessoa pode ler um livro no ritmo que quiser e só tem ele a se concentrar, ou seja, pra mim ficou uma analogia meio furada.
E acho que a legenda tem vários problemas também, algumas em comum com a dublagem, como tradução ruim, troca de sentido, corte de palavrões; e outras específicas, como legendas brancas em fundos brancos. Pra mim o ideal seria ter algumas sessões dubladas e as restantes legendadas (e até uma sem nada, pros fluentes). Um exemplo foi o filme dos Vingadores aqui no Rio onde moro: procurei um cinema com sessão dublada pra levar meu filho e foi difícil achar na Zona Sul, dos 4 complexos de cinemas que procurei só achei duas sessões dubladas no Cinepólis da Lagoa (Kinoplex Leblon todas legendadas; Cinemark Botafogo todas legendadas, Cine Leblon todas legendadas). E me estranhou o fato de falarem que teve cena cortada na versão dublada, pois eu vi as duas versões (fui depois conferir a legendada) e a tal cena do porta-aviões foi igual nas duas versões. Quem sabe a reclamação nas redes sociais fez efeito?
Também não concordo que o trabalho de crítico está fadado a acabar. Vejo a quantidade de pessoas que respondem aos seus posts e penso nas tantas outras, como eu, que apenas os lê. E também em seus cursos sempre tão concorridos, que infelizmente ainda não fiz por não ter $tempo$.
Enfim, escrevi isto tudo pra chegar no ponto que queria: muitos culpam educação, muitos culpam a internet, muitos culpam filmes dublados, etc… mas eu, que vou a cinemas desde o fim da década de 70, acho que o grande vilão do bom cinema são os complexos e shoppings com suas telas diminutas e sua variedade de distração. Não se acha mais uma sala do tamanho do antigo Cinema Leblon, hoje dividido em 2, ou do antigo Roxy, hoje dividido em 4. E ainda lançam uma sala IMAX no Rio que é MENOR que algumas telas de outros cinemas e não dá pra perceber grande diferença pra uma sala comum, a não ser no preço bem mais salgado. As pessoas não vão ao cinema, vão ao shopping e lá decidem o que fazer, talvez ir ao cinema.
A internet a meu ver só veio para contribuir, com mais divulgação, mais acesso a informação, mais acesso às críticas, etc.
Pablo, desculpa aí discordar em parte da sua visão da dublagem, mas mesmo que você me relegue a um simples verme infame que não tem cultura, vou continuar acompanhando seus maravilhosamente bem escritos posts e suas ótimas críticas (mesmo que arrase o filme do Homem-Aranha).
Abraço de um leitor anônimo que nunca posta nada mas é fiel.
PS.: acho que este post valeu pelos 10 anos sem nada… até 2022.
Caramba,
nem lembro de quando comecei a lê os textos do Villaça, sei que ainda era anos 90… sou igual a quem falou para você que lê seus textos mesmo sem ter assistido o filme. o prazer de vê-los dissecados, de certa forma e em muitos casos, se torna um filme novo. Lembro de uma das poucas vezes que comentei aqui, foi sobre o filme grande truque, que você fez uma análise soberba, e eu comentei (pelo menos acho que comentei) que foi o melhor texto sobre qualquer coisa(cinema, música, politica, etc…) que já havia lido, e eu não concordava com ele… e é bem por aí… Enfim, acho que sua profissão sempre existirá, veja, você tem um público fiel, talvez você não ganhe muito dinheiro com isto, como ganha agora, rsrs… mas o que quero dizer é “isto vai passar” é uma fase, e bom, hj há um presidente negro em um país que há mais ou menos 40 anos não deixava ele entrar pela frente do ônibus… as coisas mudam, a perseverança sempre fortalece
A extinção é inevitável. É com muita tristeza que vejo isso acontecendo já, constatando que mais e mais pessoas são, lamentavelmente, incapazes de interpretar uma frase com, por exemplo, mais de uma vírgula. Seja por falta de conhecimento e estudo para fazê-lo ou por simples preguiça.
Pablo, eu também não assisto a todos o filmes que você critica, mas leio praticamente todas as críticas. Acho seus textos belíssimos (mesmo quando você carrega na ironia) e acho brilhante a sua capacidade de expor e analisar as qualidades de cada filme.
Sinceramente, eu lia o Cinema em Cena há dois anos até achar uma crítica na qual concordo com você do início ao fim, a de Speed Racer. E ultimamente, tenho concordado cada vez mais com você, não só pelo respeito que tenho pela sua opinião (e ela esta lá, uma vez que toda critica é imparcial), mas também pelo crescente interesse que tenho por Cinema desde que comecei a frequentar o seu site.
Também acredito que a sua profissão não vai acabar. Só por curiosidade, quantas edições do curso de Teoria e Linguagem Cinematográfica você fez em 2010, 2011 e 2012? A impressão que eu tenho (pelo que acompanho no Facebook/Twitter) é que eles são cada vez mais requisitados. E cada vez mais elogiados. E cada vez mais frequentados por pessoas diferentes, todos cinéfilos, mas diferentes.
Qualquer seja o destino da sua profissão, sinta-se privilegiado por fazer o que gosta e ter o reconhecimento de tantas pessoas (desde os ignorantes em Cinema como eu, até o Roger Ebert). Não são todos que tem essa oportunidade.
Não sei se é uma profissão em extinção… Afinal, suas turmas do curso de Teoria e Linguagem Cinematográfica estão sempre lotadas! Ainda há muitas pessoas interessadas pelo assunto, muitos apaixonados por cinema, enfim.
Digo isso porque espero que não acabe. Mas, se tudo der errado, abre um curso de cinema. Vai bombar……..
Ora essa, vejam só. O sujeito me passa a vida inteira acreditando e lutando para que todos, sem distinção, sejam tratados e tenham voz de maneira igual apenas para, em seguida, se deprimir ao constatar o óbvio: que a imensa maioria não tem o grau de instrução ideal.
Não tem nada de novo nisto. A internet não tornou as pessoas mais estúpidas. Ela apenas deu voz à uma massa que sempre existiu, mas era marginalizada. Não fosse a ignorância algo tão tragicamente disseminado, a educação e a inteligência não seriam bens tão preciosos.
Esta foi a terceira vez que li este post. Às vezes me parece que você tem o texto de cor, palavra por palavra. Mas pela primeira vez senti um conformismo – a suposição de inevitabilidade da situação – que é alarmante da sua parte. Puxa vida, Pablo, você é um cara pioneiro! Olhe ao seu redor! Nesses anos todos, quantas pessoas disseram que tiveram o interesse despertado por sua causa? Quantos sites nasceram, quantos cinéfilos foram inspirados? De quantos alunos você ouviu que tiveram uma percepção completamente nova por conta do seu curso? Eu me lembro da época quando navegava os sites de cinema internet afora e as ditas “críticas” não passavam de sinopses esticadas. Hoje existe uma profundidade muito maior no debate, análises cada vez mais elaboradas são facilmente encontradas numa busca do Google. Os textos medíocres ainda existem, é verdade, mas olhe como evoluímos. Muito por sua causa, Pablo. Como você pode se dizer dinossauro, “fadado à extinção”? Como você pode se cegar perante o resultado de anos de trabalho? No fim, me parece o mesmo velho Pablo que só dá atenção ao negativo.
Não é o pensamento crítico que vai acabar. Tanto quanto a estupidez, ele faz parte da natureza humana. Foi ele quem nos tirou das cavernas, pra começo de conversa. O que acontece é que estamos mudando a forma de nos comunicarmos, os nichos estão caindo. Sinceramente me parece que o campo do NYT está muito mais perto da extinção do que o da Stephanie Zacharek. Hoje o cinema está mais acessível do que nunca. E qualquer pessoa tem o potencial de ser publicada. É natural que ignorantes se manifestem, e em grande número. Mas não se deixe abater por conta disso, meu amigo. Olhe para o outro lado. Olhe para o seu filho. Duvido que você ainda consiga ser assim tão pessimista se assim o fizer.
Pablito, meu líder, muito bom teu texto. A questão de que com a internet, “todo mundo é um crítico”, é o simples fato de que agora todo mundo tem uma voz e essa voz pode ser ouvida. A situação é mesma de sempre.
Antigamente nosso acesso a esse tipo de informação era em revistas ou programas de tv, e se tínhamos uma opinião a respeito dessas críticas (seja qual for), a publicação destas ficava a cargo dos controladores desses espaços.
Mais ou menos como a moderação de comentários, mas agora, qualquer um pode abrir um blog, um site, ou até extravasar no Facebook e isso pode chegar a milhares de pessoas. É a democracia da era digital.
Seu trabalho tem seu mesmo valor de sempre, e as pessoas que sempre o apreciaram, continuarão apreciando. Os que desapreciam, continuarão depreciando. A diferença agora é que se pode contar as cabeças.
O lado bom da internet é que pode-se angariar novos apreciadores, uma vez que é um lugar de fácil acesso a informação.
Se não fosse a internet, aonde eu iria ter acesso ao seu trabalho? Visito outros sites, mas suas críticas, são as que sempre leio com consideração, que me fazem refletir. Independente de eu concordar ou não, sempre aprendo algo.
Continue fazendo o que você faz melhor, sem stress. Seu leitores agradecerão.
No mais, uma vez que nunca poderei participar do teu curso, que livros você recomenda para se aprofundar no estudo da teoria da linguagem cinematográfica? E você pensa em transformar o conteúdo do seu curso em um desses livros?
Abraços.
Não estará extinta enquanto houverem leitores ávidos por mais conhecimento cinematográfico!
O trabalho de um crítico é dificílimo. Isso porque trata de balancear, de julgar os pontos positivos e negativos de uma obra. E de tentar deixar as emoções de lado. Poucos conseguem fazê-lo. E é por isso mesmo que acredito que a profissão prevalecerá.
Creio que seja uma forte crise a que estamos passando agora, sabe. Porém, inexiste o cinema sem a crítica. O dia que isso acontecer (caso aconteça), bem, prefiro estar em outro plano.
Para ser um bom crítico, é preciso ter equílibrio em todos os aspectos da vida. E você tem melhorado em suas colocações, mesmo com tantos odiadores – está menos agressivo e batendo nos pontos fracos. Parabéns, meu velho!
Pablo, a crítica “madura” jamais vai morrer – assim como os leitores dela. O advento da Internet é relativamente recente e, como todo fenômeno de massa, exige tempo para se assentar e ficar estável. No momento, podemos ver uma transformação, no sentido de uma “massificação” do uso da Internet nunca vista anteriormente, o que trouxe para esse ambiente pessoas que não são exatamente praticantes das letras – algo que pode ser confirmado, por exemplo, pelo número de vlogs em relação aos blogs, já que, no primeiro, não é preciso escrever, pode-se usar imagens em movimento, etc.
Enfim, resumindo a ideia com base no que escrevi acima, você deveria considerar que continua crescendo o número de leitores das críticas que pessoas como você fazem; a questão aqui é que esse número cresce em um passo muito menor do que o número de pessoas que não têm o costume da leitura (e que têm todas as características que advém desse posicionamento em relação ao ato de ler, como preguiça de ler textos longos, erros básicos de interpretação de texto, argumentação pífia, etc.). Quanto a isso, não há muito o que você possa fazer, não muito mais do que já faz. O que deve fazer, na minha humilde opinião, é continuar o seu trabalho que, querendo ou não, funciona com certa autonomia (você não trabalha para uma grande rede de comunicações, por exemplo, e fica à mercê de ordens “de cima”) e que continua tendo um público grande e fiel – eu incluído.
Grande abraço.
Pablo,
Também ganho a vida por escrever. Sobre este ou aquele assunto, não importa. Eu escrevo, assim como você escreve.
Por uma fração realmente grande das pessoas ser supostamente alfabetizada – e, assim, teoricamente apta a escrever – não há no consciente coletivo uma separação clara entre o que é uma produção intelectual feita com técnica e rigor e a opinião de um imbecil que esmurra o teclado com fúria.
Às vezes sinto que letras são um commodity, que prestam apenas para preencher espaços em layouts.
Abraços e parabéns pelo texto.
Concordo com você quando diz que o verdadeiro crítico é aquele que possui uma bagagem que o torne capaz de dissecar o filme de forma competente, analisá-lo e expô-lo ao público. Não basta apenas utilizar alguns adjetivos como “bom”, “ruim”, “belo” etc.
Claro que tudo isso não impede que amadores (como eu) escrevam sobre filmes e tentem analisá-los, ainda assim, reconheço que é simplesmente impossível colocar em pé de igualdade o amador que escreve por hobby e o profissional que exerce essa função por carreira e possui um embasamento profundo no que diz.
Discordo da justificativa que você tentou dar para a arrogância. Não acredito que para ser expor seja preciso ter arrogância e muito menos que ver/perceber a si próprio como bom ou excelente em determinada função signifique necessariamente ser arrogante.
Pablo, mas será que o veículos(jornais principalmente), não são grandes responsáveis por popularizar essa história do crítico como alguém sempre do contra?
Ao empregar “celebridades” ou até gente que, embora da indústria (ator/diretor) demonstra um desconhecimento tamanho, que se restringe sim ao “gostei, não gostei”.
Claro, o público deveria saber reconhecer, mas e quando esses são a maioria ?
Enfim, belo texto, acho que até valeria mais artigos.
E penso que é o contrário. Esse tipo de “palpiteiro” sendo onipresente, vai fazer críticos de verdade cada vez mais destacados e necessários.
Então não só acho que teu emprego está garantido como valorizado.
Abraço e continue, por favor.
Pingback: Totalmente tipo sei lá o quê, entendeu? | Diário de Bordo
Sou crítico literário, e estou começando a achar que ser crítico é ser um profissional que tenta, mais dia ou menos dia, justificar a sua profissão, como eu tentei fazer neste artigo publicado na Revista Bula. http://www.revistabula.com/posts/ensaios/preferencia-nao-se-discute-gosto-sim
Quando diz “…quando entro numa sala de projeção, preparo-me para ser encantado pela obra que verei…” fiquei imaginando o Pablo ao lado de um monte de crepusculetes no saguão do cinema ansioso para o novo Amanhecer.
Agora vê se dá imaginar isso?
Valeu,ótimo texto, continue com seu trabalho de me desafiar, pelo menos até quando der.
Abraço!
Talvez seja estranho, talvez nem tanto.
Mas conheci seu trabalho a pouco (dois ou três anos), e talvez pelos meios inadequados, mas aprecio o trabalho que faz.
Até hoje lembro de fragmentos que escreveu sobre o filme “Speedy Racer”, que não tive a experiência de assistir no cinema.
A primeira vez que vi o filme, sem o conhecimento de sua crítica, o considerei, com o perdão da palavra, um saco. Não que depois da crítica ame o filme, mas ao lê-la entendi pontos do filme que eu não consegui entender. Através de seu trabalho aprendi que a escolha de cores feita no filme tem um propósito, e mais que o faz ter sentido na trama e que os elementos (Fotografia, som, música) participaram juntos e criaram uma experiência nova.
Leio hoje as críticas depois de ter visto o filme, pois assim comparo e vejo se entendi tudo do filme, pois para mim a crítica na verdade é um texto de alguém que desconstrói o filme em partes, e analisa as origens ou recursos que geram o todo. Para mim a crítica complementa o filme, e sempre adiciona algo para guardamos.
Depois de me acostumar com o hábito de ler críticas, senti que ao ver um filme eu comecei a reparar mais em partes que antes passavam despercebidas, como os movimentos das câmeras, os takes, os tempos entre cortes. E felizmente isso me fez perceber padrões entre filmes, e entre filmes e outras formas de Arte.
De uma pessoa que assiste filmes, e quando possível no cinema.
PS. Só para constar, ainda não gosto do filme “Speedy Racer”, mesmo entendendo mais dele…
Pois é, né? E eu, do alto dos meus 40 anos (ahhh, isso sim é arrogância
, fico ouvindo esses pensamentos e lembrando que eu tenho muitos medos iguais, o da mortalidade, não como página virada, mas esquecida, substituída por outra que – talvez, como dizem alguns, por conta da bagagem acumulada – não me será concedido compreender.
Filmes!, filmes!!, que filmes me lembram isso? Lembra um pouco os miseráveis (o original), sabe? aquele final em que ele se vê perdido, destituído de tudo que lhe fora dado viver em vida (eu sei, eu sei..). É um momento de libertação, tá certo, mas para mim também é particularmente aterrorizante, porque ali abandona-se tudo o que definia – se não a si mesmo – o mundo em que vivia. O que virá depois disso? o que virá depois do crítico, como ele é hoje conhecido? E essa escolha, os miseráveis… eu sei que tem algum filme que é um primor para expressar esse meu sentimento, só não consigo lembrar.. é, a memória já não é a mesma
Mas eu não sei não, se a ópera ainda é capaz de encontrar o seu cantinho nesse mundo de Deus, acho que o crítico também pode ter alguma esperança.
Pingback: Sacrestupidez « Protótipo
Cara voce parece tão amargo. Sem ofensas. Sabe eu sou uma aborescente, mala, chata e viciada em cultura pop. Mas em questão de filmes eu sou uma CHATA mesmo. Quando falei para as minhas amigas q odie crepusculo, quase não sai viva. Foi quando eu percebi que não gosto de filmes imbecis, que me fazem m sentir burra.Burra sim e com uma vergonha alheia desgraçada por qualquer roterista que tenha escrito aquilo. Foi quando eu encontrei o site, assisti um filme um dia desses e fui procurar a critica e achei o site. Adorei o filme, quando li sua critica senti um baque, jamais tinha reparado em tantos “defeitos’ na amarração da historia, o que me fez pensar e vi que era verdade. Mas continuo gostando do filme. Mas hoje quando “adoro” um filme percebo que ele não está acima do bem e do mal, grande parte graças as suas criticas.
E sobre a profissão de critico, jamais vai morrer, pois enquanto o mundo for mundo sempre terá alguem para falar mal da “opinião” do outro, qual é a graça em concordar com o pseudo-intelectual daquele site lá? Eu gosto de discordar da opinião dos outros, desde que eu não seja grosseira acho que posso discordar do que eu bem entender.
Ps: sinto pena pelo seu filho, sei o quão constrangedor é pais chorando no cinema : )
Ps²:Só leio a critica após ver o filme como vou concordar ou discordar da sua opinião sem um embasamento? Não entendo porque as pessoas reclamam tanto sobre estar “estragando” o filme.
Não se preocupe mestre, seu curso está garantindo que a profissão não morrerá tão cedo. =)
Muito bom o texto. Preocupante, mas serve como alerta. Contudo, penso que o caminho do fim da crítica de cimema não seja inexorável, pois sempre haverá pessoas que se preocupam com manutenção de um ofício, quando a atividade ainda está presente na sociedade (e acredito que o cinema seguirá existindo, mesmo que num ambiente da casa).
Olá Pablo. Como diria o palhaço e deputado Tiririca, é muito “abestado” quem pensa que escrever uma crítica não requer análise, conhecimento e desenvoltura verbal. Você fez uma explanação correta e só isso só fez aumentar seu cartaz comigo. Esperamos todos que a crítica nunca morra e que possamos ser brindados com textos como os seus.
Alguém sabe se o Pablo escreveu critica sobre “Um estranho no ninho”?
gosto muito das criticas do Pablo e essa eu queria ler.
Boa Tarde Pablo,
Creio que essa é uma situação que se repete em vários segmentos das ciências humanas e humanidades. Enquanto as ciências exatas e biológicas se aprofundam cada vez mais em especializações mais afuniladas o possível, nas humanidades acontece exatamente o oposto. Uma relativização absurda, “toda opinião vale igualmente” como você bem disse.
Sou Historiador e toda nossa área está cada vez mais de canto, a opinião do historiador sobre o passado é cada vez menos valorizada por ser considerada muito “restrita” aos entendidos do assunto, não sendo adequada a “leigos”. Sendo substituída em detrimento de opiniões de celebridades (normalmente jornalistas, para mim, os grandes responsáveis pela desvalorização do conhecimento, pela aberração que é o curso universitário de jornalismo, um curso que habilita uma pessoa a ser especialista em nada) que podem “popularizar” o conteúdo. O que, creio eu, é uma pura e simplesmente uma forma de disfarçar a redução do próprio conteúdo.
O que, novamente creio eu, acredito que seja um vício das ciências exatas – a área do conhecimento dominante nos últimos tempos – transferido às humanidades. Isto pois as exatas procuram sempre resultados precisos. O que, por sua vez, justamente não se propõem as humanidades! Que sempre buscam a construção de novas versões e debates que se opõem ou se completam uns em relação aos outros, jamais chegando em respostas únicas. Por que o ser humano e sua produção (os objetos das humanidades) não são exatos, pelo contrário, são completamente mutáveis e flexíveis.
O que é confundido – a partir da “visão exatista” da sociedade em geral – com essa relativização total. O fato de não chegarmos a respostas únicas acaba sendo interpretada com a noção de todas as respostas tem o mesmo valor. No caso da crítica cinematográfica: como o crítico não se coloca nessa posição de ser o único a poder falar de cinema, e nem monopoliza as opiniões sobre os filmes, essa fome por resultados prontos e exatos acaba simplesmente desconsiderando qualquer opinião que se não proponha a fornecê-los. E a relativa com qualquer outra.
E claro, a solução a isso não deve ser fornecer respostas precisas, pois, como eu disse, o próprio objeto homem e sua produção não é capaz de ser traduzido em respostas exatas. No caso do crítico de cinema, para manter no tema da discussão, encarar essa solução seria ser mero manual de consumo, como você mesmo disse. O que enfraquece totalmente o próprio ofício (mais que profissão, ofício) do crítico de cinema, do historiador, do sociólogo, do filósofo.
Não enxergo, entretanto, nenhuma solução a vista. Por enquanto é apostar que a sociedade se “des-vicie” do exatismo (não estou contra as ciências exatas, claro que não, se não fosse elas eu nem estaria escrevendo isso neste computador conectado à internet, estou contra o vício que acaba sendo imposto à sociedade pelo sistema capitalista e coisa e tal… não entrarei nesse debate, pois seria uma coisa a ser feita a parte).
Lucas Palma.
Pablo, leio as suas críticas há muitos anos que nem sei mais quantos, isso quer dizer que além de estarmos bem mais velhos, o seu site tem ficado forte como uma rocha (agradeço por isso).
Nem sempre concordo com as tuas opiniões, como nem sempre concordo com os médicos que me dizem que devo tomar antibióticos (tipo penicilina..), mas tenho certeza que o que eles prescrevem é bom e o que você escreve também o é pois vem carregado do peso da experiência e conhecimento, além, é claro da sua competência.
Sempre concordo com você ? Não, nem sempre. Sempre leio as suas críticas ? Sim, sempre leio. Eu não possuo base para analisar a um filme, mas gosto de degustá-lo depois de ler aos seus textos.
Você se emociona quando assiste filmes ? Eu me emociono quando leio às suas críticas.
Exemplo de emoção: Fiquei com muita raiva quando li a sua crítica de 300 !
Ou, quando fiquei eufórico quando vi 5 estrelas num filme do Harry Potter e do Homem aranha 2. Imagina o meu desespero (sem exageros) pra assistir a esses filmes na época tendo a sua máxima aprovação desses filmes !! (gostaria que suas críticas fossem publicadas pelo menos 1 semana antes dos lançamentos dos mesmos (masoquista, eu ???).
Finalizando, também leio críticas de sites como “omelete” mas não sei se são críticas mesmo ou apenas propagandas… nas suas eu confio.
Ah… e sinto muito, morreremos e ainda existirá a função de crítico de cinema (quer algum crítico desista no meio do caminho, ou não), acredito que o público tem necessidade de um farol que nos ajude a discernir os diamantes no meio de pedras sem valor criadas apenas para serem caça níqueis (vide transformes).
Agora, acho que você não passou pela fase da negação, da raiva e da depressão… acho que vem sendo já há algum tempo outra coisa, crise existencial… ou talvez dó de si mesmo…
Aceite minha crítica, levanta e vai trabalhar… to esperando suas críticas pois o seu site está na minha barra de favoritos há anos e preciso dele atualizado !
Eu entendo e venho discutindo isso não do ponto de vista cinematográfico, do qual sou leigo. Mas do ponto de vista do meu trabalho como físico. É de uma raiva mortal a onda de uns anos para cá da apropriação indevida de teorias tão belas e funcionais como a mecânica quântica e a relatividade para inseri-las em contextos completamente inadequados. E quando você aponta esses erros absurdos, é atacado como alguém que tem “opinião contrária”. A popularização da ciência através das revistas e programas televisivos de DIVULGAÇÃO científica foi ao mesmo tempo uma benção e a ruína. Já falei muito desse livro/documentário chamado “Quem somos nós”. Tenho tanta raiva cada vez que lembro disso que prefiro parar meu comentário por aqui.
O crítico está em extinção justamente porque o público não liga pra ele.
Ao contrário da Literatura, que é uma arte de verdade, o cinema ganhou status de arte apenas por maravilhar as pessoas numa era em que a tecnologia começa a ser visual.
Ninguém vai ao cinema se importando com fotografia, ângulos de câmera, figurino…
o povo vai ao cinema pra se divertir.
O cinema é muito novo, não tem essa bola toda só porque movimenta uma grana.
O cinema é irrelevante, a Literatura não.
Os críticos de cinema já vão tarde, se é que algum dia chegaram a ser relevantes.
O tal do Ebert? Citado e reverenciado apenas por outros críticos.
E o que adianta defender essa posição sendo que um dos melhores críticos se rebaixou ao ponto de fazer propagandas ideológicas em seus textos?
Sim, esse é o Pablo. Um sujeito sem o menor conhecimento sobre política, economia, religião… palpitando sobre esses temas nas críticas dos filmes. E pior, sendo agressivo e tentando impor a opinião dele.
Chama outros de ignorante quando ele também é um ignorante. Claro, tudo não passa de falácia, pois ele JAMAIS usa fonteS para alicerçar suas opiniões.
Pablo. Faça-nos um favor e também suma junta com os críticos.
Quando quiser voltar a falar de filmes, aí é bem-vindo.
O cinema é irrelevante para quem não presta atenção, afinal será que todos os cineastas estão buscando apenas dinheiro para continuar trabalhando ou estão querendo transmitir ideias?
Vc ainda rebaixa o cinema como desprovida de arte. Se a imagem não é arte o que diria sobre a fotografia e a pintura? Um desenho não é arte? E um desenho em movimento? A arte é nada mais do que informação assim como a literatura.
Todo cineasta está buscando dinheiro.
O cinema não serve para transmitir ideias, justamente porque não é uma arte, como a Literatura.
Cinema foi considerado arte no início do século passado porque encantou as pessoas, foi um típico caso de tecnologia abrindo precedentes.
O cinema é incrível, mas não é arte. Ponto.
Dá pra reduzir a mero pó todos teus argumentos, Carlos Claro. Mas só vou pegar esse aqui
“Ao contrário da Literatura, que é uma arte de verdade, o cinema ganhou status de arte apenas por maravilhar as pessoas numa era em que a tecnologia começa a ser visual.
Ninguém vai ao cinema se importando com fotografia, ângulos de câmera, figurino…
o povo vai ao cinema pra se divertir.”
Supõe-se, pelo dito acima, que quem procura e se envolve com uma arte o faz por algo além de diversão, e eu chutaria, interpretando suas abobrinhas, por atividade intelectual-artística
Olha, não sei qual o seu nível de ingenuidade, mas se você pensa, de peito aberto, que quem lê livros só o faz procurando por seus elementos artísticos, intelectuais ou acadêmicos, deveriam processar as escolas onde você estudou, porque algo muito errado aconteceu na sua educação/formação.
Isso pq quem lê Crepúsculo, Paulo Coelho ou qualquer outra obra de qualidade dúbia, como todos já de testemunhar por ai, só o faz por diversão. Talvez tenham ido aos mesmos lugares que você.
Não, perdão.
Isso aí é só sua opinião sem peso argumentativo.
Mais uma vez, uma opinião sem qualquer desenvolvimento. Pra alguém que defende a primazia da literatura, é um tanto quanto pobre.
Uma última tentativa. Demonstre, positivamente, que cinema não é arte. Creio que seja capaz de faze-lo e que não lhe consumirá tempo, visto que já o usa por aqui.
Ah, e citar o Ebert como ícone da crítica é como achar que exposição na mídia (americana, no caso) = inteligência. Jonathan Rosenbaum esta à 500 mil anos a frente dele, por exemplo.
Aqui interfiro. Rosenbaum é de fato excelente. Sem dúvida quanto a isso. Mas o que faz de Ebert um ícone não é exposição, mas o fato de ser um escritor admirável e um belíssimo crítico.
Dito isso, sugiro ignorar o Carlos. Trata-se obviamente de um troll.
Carlos Claro, sabe o que foi irrelevante? Seu comentário, porque ele foi exclusivamente uma ferramenta para agredir o Pablo.
O cinema é arte, tem muita gente que vai ao cinema reparar do que você citou. Eu sou uma delas, e eu sou escritora, ou seja, eu estou inserida na sua amada arte da literatura.
Você falou da falta de embasamento do Pablo mas deu uma informação sem fonte. De qual pesquisa séria você tirou esse dado de que as pessoas não reparam de vedade no filme?
De nenhum lugar, né? Foi só uma opinião tosca baseada na sua ignorância sobre cinema.
E OPINIÃO não precisa de bibliografia. Não curte o que ele fala? Não o procure nas redes. Assim, super simples.
E como seria Pablo bem-vindo para falar de filmes, se você mesmo disse que isso é irrelevante?
Coerência não mata, Carlos.
Sempre (ou quase sempre) que alguém é acusado de “arrogante” eu tenho a impressão de que o acusador em verdade gostaria de ter acusado seu oponente de “pedante”, você já sentiu isso?
São duas coisas completamentes diferentes. Simplificando: arrogante é quem se arroga de coisas que possui, pedante é quem se arroga de coisas que não possui. O arrogante incomoda pois ele tem um caráter afirmativo, incisivo, e a resposta comum à sua influência é acusá-lo de não possuir os conhecimentos e as bases das suas posições, daí o pseudo intelectual frequentemente mobilizado. O sonho dos críticos dos arrogantes é poder desmascará-los como “pedantes”, pois não há nada mais incômodo para estas pessoas do que uma “força” que se exibe, que não se mantém quieta, sonolenta, inofensiva.
“É preciso proteger os fortes dos mais fracos”
Pablo, o seu texto analisa do seu ponto de vista um “fenômeno” que está acontecendo em todas os lugares. A Internet hoje é um celeiro de pessoas que sabem tudo, entendem de todos os assuntos e são melhores do que a “massa”. Em tudo é assim. Confesso que estou cansando de tudo isso… As vezes você encontra paz quando está afastado de tudo isso. Somos viciados em nos torturarmos, essa é a verdade!
A outra verdade é que as vezes nos esquecemos que o “virtual” tem esse nome justamente porque ele é o que se chama: virtual!
Todos esses sentimentos, desgostos, fúria, culpa, inconformismo…tudo isso reside em algo que não é nada mais nada menos do que virtual. As experiências “reais” hoje são nosso segundo plano. Eu mesmo escrevo aqui pensando que você ou seus leitores vão ler esse texto, mas a verdade é que estou escrevendo pra mim mesmo, para dar cabo à minha fantasia de ser lido por alguém que admiro. O que é real nesse comentário que faço?
A mesma pergunta transfiro: que sentimentos provocados por leitores detratores são reais? Que leitor que “menosprezou” seu ofício é na verdade alguém que tenha de fato essa capacidade? Quão real foi a intenção em fazê-lo e quão virtual são seus anseios?
O que há de real do “Pablo arrogante / audaz” e o que há de virtual nisso?
Finalizo: Pablo, sua angústia real não está embasada em medos virtuais?
Qualquer cinéfilo ou pessoa comum consegue muito bem curtir seus filmes independente dos críticos.
Se isso é uma “profissão”, já passou da hora de realmente ser deixada para trás.
Errado. Sou uma “pessoa comum” e depois de ver um filme venho ler a crítica do Pablo, pra saber o que ele viu que eu não vi.
E aqui está outra.
Isso valeria para os jornalistas e historiadores também? Afinal, um parece que apenas “repassa” informação e o outro só sabe falar do passado.
Que visão sem fundamento.
Só tenho uma coisa a dizer.
Foi graças a profissão do Pablo e a maneira que ele me inspirou com suas criticas que eu tomei coragem para largar uma faculdade renomada do governo e ir estudar Cinema.
Suas criticas não me dão somente coragem para seguir em frente, elas também alimentam o meu amor pelo cinema a cada dia.
Pablo, se não fosse sua criticas eu não estaria seguindo meu coração e fazendo o que amo.
Obrigado por me fazer amar cada vez mais o cinema.
ASS:Seu grande fã
Gustavo, depois não venha culpar o Pablito se estiver ganhando uma mereca, rsrsrsr.
Há 10 anos acompanho a carreira do Sr. Villaça. Não deixa de ser irônico que eu o tenha conhecido como âncora de uma emissora católica (TV Horizonte).
Pois é.
E o programa era tão ruim (e a Alda pior ainda), que nem deixa saudades.
Na hora que tá valendo, o Pablo não conseguiu segurar a onda.
É tão bom, tão legal aprender com quem entende de cinema, quem estudou a respeito, enfim. Admiro seu trabalho Pablo e sua luta contra tanto desrespeito ao cinema. Vi recentemte um vídeo de um professor de cinema dando explicações teóricas sobre esta arte que passei aqui pra informá-lo que ainda existe esperança. Não o conheço, desculpe se parece que estou utilizando este canal para fazer propaganda, enfim. Admiro e respeito quem tem bagagem e conhecimento sobre cinema de verdade nos dando informações de como esta arte funciona Pablo, incluindo você, claro. O nome do professor é Rodrigo Carreiro (www.cinereporter.com.br). Além dos textos, ele tem vídeos explicando um pouco sobre algumas características do cinema, Muito bacana.
Abraços.
Parabéns pelo seu trabalho em primeiro lugar, e que venham mais críticas enquanto puder. Vou ser sincero e dizer que tem menos de 1 mês que fui recomendado a ler suas críticas e textos por um amigo e desde então, imagine o resultado, maravilhado.
Tamanha é a capacidade de explanar e esmiuçar as obras (de arte ou não) sem envolver total sentimento de pessoalidade ou sabendo aplicar o mesmo, suas críticas se constroem não como opinião, mas sim como uma junção de análise técnica com a capacidade de observação profunda (não aquela superficial pretendida por muitos diretores).
É por estas circunstâncias que eu arriscaria dizer que os bons críticos não hão de “falir”, pois assim como você, existem aqueles que o fazem por gosto e dom natural, enquanto existem aqueles que leem por apreciar. E sempre haverá dos dois tipos, mesmo que estejamos caminhando a um futuro “cego” e manipulado pela mídia de leitura superficial. Ou pelo menos espero que sempre haja aqueles que sobrevivam ao “mal-superficial”.
Bem… eu não sei nada de antropologia, por isso fico meio receosa ao opinar, mas aí vai.
Não se preocupe!!! O crítico por hora não será extinto.
A população está na fase da alienação e pior que isso, da superficialidade, mas daqui a um tempo ela perceberá a profundidade do poço depressivo em que chegou, constatando o vazio que é ver de tudo e não saber de p*** nenhuma.
Ela tentará contornar isso. Daí o crítico volta(bem como outros profissionais). Mas sim, como um guia de consumo.
É provável que vc entre na fase de “depressão”. Mas pelo menos terá dinheiro para pagar um terapeuta. Eu acho… =/
Sinto mt, mas como vc mesmo sabe, não é apenas a sua profissão que está sendo desvalorizada.
Dizem que a felicidade é vc fazer o que gosta e achar quem pague por isso… se não está sendo valorizado pelo menos faça o que gosta.
E crie um site de compras coletivas (é preciso dinheiro tbm pra viver).
Outro dia me peguei refletindo sobre qndo é que vamos voltar a nos conhecer melhor, não tentarmos ser todo mundo e assim a pensar mais, discutir mais, acrescentar mais, sermos mais interessantes, viver mais, falar menos e melhor, viver melhor.
…
Li seu texto e certamente irei reler. Tudo o que disse me fez refletir sobre um possível desejo de ser crítica. Mas muito além disso me fez admirá-lo ainda mais. Por sua honestidade e franqueza e ainda, e principalmente, por seu talento para a escrita. Não adianta, serei sempre sua fã. Sucesso sempre!
Muito bom o texto realmente, eu concordo plenamente com sua visão acerca do critico. Dar a opinião sobre um filme todo mundo faz, e com a internet se ampliou de uma forma até ruim. Mas, dar de fato uma critica com qualidade é outra coisa mesmo, demanda estudo, analise, anos e anos de filmes e debates para se ter boa argumentação. Acompanho suas criticas desde 2001, e sempre que leio uma me dá grande vontade de também me especializar em critica cinematográfica, coisa que ainda pretendo fazer. Abraços e força, que a critica não morra como profissão e você fique velhinho com lugar ao sol ainda =)