Uma das coisas que admiro em Dexter é o cuidado com os personagens secundários: em todas as temporadas, subtramas envolvendo os companheiros do personagem-título são apresentadas, com maior ou menor complexidade, a fim de torná-los interessantes e relevantes para o arco geral da narrativa. Assim, este ano temos a mágoa de Masuka com os colegas; a relação de Debra com o parceiro Quinn (que é vivido de maneira curiosa por Desmond Harrington, que nos mantém curiosos com relação ao caráter de seu detetive) e também com o informante Anton; a lealdade da tenente LaGuerta para com a família Prado, que passa a ser testada pelo comportamento de Ramon e pelos indícios de que Miguel possa não ser tão limpo quanto ela acredita; e, claro, a solidão do (agora) sargento Angel Batista, que, sempre interpretado com sensibilidade por David Zayas, é um de meus favoritos na série e que agora parece estar prestes a embarcar em uma nova relação. Além disso, há a belíssima Rita e seus filhos, além, claro, do próprio Dexter, cujo lado animalesco vem sendo explorado com maior intensidade nesta terceira temporada, quando testemunhamos sua transformação imediata em monstro ao lidar com suas vítimas (reparem sua expressão no momento do “abate”).
E se Keith Carradine se revelou uma adição bacana na temporada passada, desta vez Jimmy Smits não faz feio ao retratar Miguel Prado como um homem que realmente inspira a confiança de Dexter – e a nossa – ao insistir em compartilhar os segredos do protagonista.
Por outro lado, não posso dizer que aprecio a maneira com que os monólogos internos de Dexter vêm sendo retratados, já que usar a imagem de seu pai adotivo, Harry, como manifestação “física” de suas inseguranças não é algo original ou mesmo muito crível.
Mas estou curtindo bastante a temporada, embora imagine saber para onde ela está caminhando, o que tira um pouco da graça.