Os Olhos de Hitchcock

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Supercut que expõe a obsessão de Hitchcock pelo olhar de seus atores:

Ditadura Nunca Mais – #01

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Ao que parece, muitos jovens hoje em dia simplesmente desconhecem o que foi a ditadura – é a única explicação para que carreguem cartazes pedindo sua volta ou peçam para tirar selfies com um torturador no meio da Paulista. Assim, creio ser importante resgatar alguns relatos que certamente desconhecem.

Como este, retirado do fundamental “Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos no Brasil (1964-1985)”.

000002Gastone Lúcia Carvalho Beltrão (1950-1972)

Nasceu em 12 de janeiro de 1950, em Coruripe (AL). Morta em 22 de janeiro de 1972. Militante da Ação Libertadora Nacional.

Estudou nos colégios Imaculada Conceição e Moreira Lima, em Maceió (AL), e concluiu o ensino médio no Rio de Janeiro, onde morava sua avó e onde iniciou sua militância política. Ainda jovem, visitava os presos comuns, levando roupas e alimentos.

Voltando a Maceió, em 1968, ingressou no curso de Economia da Universidade Federal de Alagoas, onde iniciou sua militância na JUC.

De acordo com a versão policial, foi morta em 22 de janeiro de 1972, na rua Heitor Peixoto, em São Paulo, “[...] após travar violento tiroteio com agentes dos órgãos de Segurança, no transcorrer do qual feriu três policiais, foi ferida e, em consequência, veio a falecer“. Sua mãe recebeu a informação de que algo acontecera à filha e foi até o DOPS/SP e, após muito insistir, conseguiu falar com o delegado Sérgio Paranhos Fleury, que inicialmente afirmou não se lembrar do caso, mas acabou por lhe dizer que a filha era uma moça muito corajosa e forte, e resistira até a última hora.

Gastone foi enterrada como indigente no Cemitério D. Bosco, de Peruss. A família teve de esperar três anos para obter autorização e trasladar seus restos mortais para Maceió.

Após a realização de pesquisa da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos nos arquivos do IML e da Polícia Técnica de São Paulo, foi possível desvendar parte da história de sua morte. De acordo com o registro oficial, o corpo de Gastone deu entrada no IML às 15h30 de 22 de janeiro de 1972. Suas vestes e objetos, conforme está escrito no verso da requisição de exame necroscópico, “[...] foram entregues ao Sr. Dr. Fleury“. O laudo necroscópico indica 13 ferimentos a bala, orifícios de entrada e saída, descrevendo fraturas no cúbito e rádio esquerdo, ossos do punho esquerdo e no terço superior do úmero direito. A resposta ao quarto quesito do laudo, em que consta a pergunta se a morte foi produzida por meio de veneno, fogo, asfixia, tortura ou por outro meio insidioso ou cruel, foi negativa.

Em todos esses documentos, Gastone está identificada com todos os dados corretos. No entanto, quando houve a divulgação da versão policial no jornal O Globo, de 25 de janeiro de 1972, três dias após a data oficial da morte, não há referência à sua identidade ou militância. No artigo citado, intitulado “Pistoleira Fere e Morre em Duelo com Policiais”, pode-se ler:

No ponto de ônibus, ao lado do assaltante João Ferreira da Silva, o Tião, perigoso marginal procurado, estava a jovem loura. Os três policiais da ronda se aproximaram para a captura, quando foram surpreendidos pela mulher, que sacou revólver da bolsa e abriu fogo. Dois policiais caíram baleados e o terceiro continuou na perseguição, pois seu comparsa desapareceu. 

Mais adiante na avenida, o agente alcançou a pistoleira que, novamente, resistiu à bala na iminência da prisão. Atingida por disparos dos policiais, ela faleceu a caminho do hospital.

Na escapada ela deixou cair a bolsa com documentos, que foi apanhada na rua pelo transeunte Adalberto Nadur. Este a entregou ao agente que estava no encalço da pistoleira. O policial embarcou em um táxi para localizar a mulher, mas esqueceu a bolsa no veículo. Um apelo por rádio foi feito ao motorista do táxi para que entregue a bolsa da mulher, na delegacia mais próxima de sua residência, pois somente com a devolução a polícia poderá identificar a morta através do documento ou pista.

As autoridades não divulgaram até agora os nomes dos três policiais envolvidos no tiroteio.

O Laudo da Perícia Técnica 8.355, localizado nos arquivos da Polícia Técnica de São Paulo, tem a seguinte informação:

Às 17 horas do dia 22 de janeiro de 1972, este Instituto de Polícia Técnica recebeu do Delegado de Polícia de Plantão no sexto Distrito policial, Del. Jácomo José Orselli, um comunicado, por telefone e, posteriormente, confirmado pela requisição de exame BOAD no. 42/72, na qual solicitava exame pericial em prédios da Rua Inglês de Souza, da Rua Basílio da Cunha, em veículo e em cadáver até então desconhecido.”

Segundo o relatório do Ministério da Aeronáutica, encaminhado ao ministro da Justiça em 1993, Gastone “[...] faleceu dia 22 de janeiro de 1972, após travar tiroteio com agentes de segurança em São Paulo”. O relatório do Ministério da Marinha registrou a mesma versão, sem citar a data, e assinala como local da ocorrência a avenida Lins de Vasconcelos. Os documentos encontrados no Arquivo da Polícia Técnica indicam a rua Heitor Peixoto como o local da morte, atestando a informação com várias fotos.

Em função das contradições nos documentos oficiais, o caso de Gastone foi submetido a exame do perito criminal Celso Nenevê.

Após a análise das fotografias, o perito constatou que Gastone tinha 34 lesões enquanto o laudo descrevera 13 ferimentos à bala com os respectivos orifícios de saída. O perito concentrou-se em duas lesões, uma na região mamária e outra na região frontal. Ampliou a foto da ferida na região mamária em 20 vezes. O legista original descrevera a lesão como resultante de “[...] tangenciamento de projétil de arma de fogo“. Nenevê constatou que, em vez de tiro, se tratava de uma lesão em fenda, produzida por faca ou objeto similar. E agregou que, dado o formato em “meia-lua“, o ferimento fora produzido com o braço levantado. A lesão estrelada na região frontal indica que o tiro foi disparado com a arma encostada, de cima para baixo. Essas duas lesões são totalmente incompatíveis com a versão de tiroteio, pois a lesão produzida por faca ou objeto similar requer proximidade entre agressor e vítima, e o tiro encostado na testa demonstra execução.

Nenevê concluiu o parecer ao afirmar que, considerando a requisição de exame ao IML e o relatório do local, em que é explicitado “tiroteio violento” em alusão às circunstâncias em que a vítima fora ferida; e considerando que no laudo de exame cadavérico o legista constata “[...] fratura de cúbito e rádio esquerdos, ossos do punho esquerdo e do terço superior do úmero direito“, entendeu o perito que, tanto o relatório de local como o laudo médico-legal não estabelecem pormenores que possibilitem compatibilizar as lesões descritas com as circunstâncias em que foi travado o aludido tiroteio. Salientou que Gastone, a partir do momento em que teve os membros superiores inabilitados, não ofereceria resistência armada.

As circunstâncias da morte não foram restabelecidas, mas a CEMDP reconheceu que Gastone, medindo 1,55m de altura e com 34 lesões, a maioria produzida por tiros, inclusive um à queima-roupa, além de facada, fraturas, lesões e equimoses por todo o corpo, não morrera no “violento tiroteio” atestado pelo DOPS, o IML e o PT, e sim depois de presa pelos agentes dos órgãos de segurança.

Em sua homenagem, a cidade de Maceió deu o seu nome a uma rua localizada no loteamento Parque dos Eucaliptos.

Referência: caso 238/96, na CEMDP.”

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Projeto Breaking Bad – Trechos dos Capítulos 2 e 3

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Abaixo, você confere breves trechos dos capítulos 2 e 3 do projeto Breaking Bad (para ter acesso aos textos completos, é só se tornar colaborador(a) do Cinema em Cena. Como? Clicando aqui!):

Capítulo 2:

(…)Num episódio marcado pelo humor – uma abordagem inteligente, já que suaviza a natureza sombria dos acontecimentos retratados -, a dinâmica entre Walt e Jesse começa se tornar cada vez mais clara, envolvendo as tentativas do primeiro de controlar a situação e a impaciência crescente do segundo ao ser tratado como subalterno (e é divertido notar a expressão de orgulho de Pinkman ao encontrar uma forma de prender Krazy-8 no porão). Da mesma maneira, o próprio vocabulário dos personagens ressalta as diferenças entre eles, sendo particularmente curioso como Walter procura diminuir a gravidade do que propõe ao sugerir “desincorporação química” para lidar com o corpo de Emilio, enquanto Jesse, numa postura quase infantil, tenta se livrar da tarefa ao dizer um comovente (mesmo que engraçado) “Sr. White, eu não sou bom com gente morta”. (E em uma discreta piada envolvendo odesign de produção e a cenografia, no início do episódio é possível perceber um cartaz na parede lateral da sala de aula que basicamente adianta o destino do ex-parceiro de Jesse ao trazer um esqueleto em um fundo roxo que exibe a palavra “decompose”.)

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 Não é coincidência, aliás, que Jesse apareça assistindo a um episódio de Os Três Patetas em certo momento, já que o roteiro de Gilligan inclui, nesteCat’s in the Bag…, piadas envolvendo humor físico (Jesse carregando o corpo de Emilio), humor de situação (o mal entendido inicial na conversa entre Skyler e Pinkman) e, claro, humor negro (o resultado da teimosia de Jesse ao lidar com o ácido). E mais: os realizadores também extraem graça do amadorismo de sua dupla central (como o pânico de Walt ao ver Krazy-8 na rua e o de Pinkman ao dizer “Por que diabos não o amarramos?”) e até mesmo da escolha das canções incidentais: quando Krazy-8 (Arciniega) vê seu captor e corre, sendo nocauteado ao trombar em uma árvore, ouvimos os seguintes versos de “You’re Movin’ Me”, de Clyde McPhatter, enquanto o rapaz é colocado, inconsciente, no carro do protagonista:

Baby, you knock me out

You know you’re movin me” 

Para completar, Gilligan claramente se diverte ao estabelecer como Walter não compreende o universo no qual está se metendo, já que acredita ser possível argumentar com um narcotraficante e assassino – um padrão de comportamento que se tornará recorrente, já que, ao longo das cinco temporadas, ele (sempre se julgando intelectualmente superior a todos) frequentemente agirá como se os que o cercam fossem estúpidos e susceptíveis aos seus poderes de persuasão (e muitas vezes estará certo).

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Capítulo 3:

Ainda assim, questões morais à parte, Walter já demonstra o pragmatismo marcante de sua personalidade ao finalmente concluir não ter mais opções – e, portanto, quando surge na porta que leva ao porão, já é retratado por Villalobos como um vilão mergulhado em sombras (e é interessante notar como, ao chegar no andar de baixo, ele se afasta da escada ainda oculto pela escuridão, como um monstro, embora mais cedo no episódio ali houvesse luz suficiente para iluminá-lo, como é possível perceber nas imagens abaixo).

E se o episódio não facilita o julgamento do espectador ao humanizar Krazy-8, a situação se torna ainda mais difícil graças à forma chocante com que sua morte é encenada: mesmo com cortes rápidos enquanto o rapaz e Walt giram em torno da coluna que mantinha o sujeito preso, a direção de Bernstein nos mantém próximos ao rosto do jovem enquanto a vida desaparece de seus olhos, tornando seu assassinato pessoal, quase intimista – e, com isso, a natureza cruel do ato do protagonista se torna inegável mesmo que este chore diante do que fez.

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O que nos traz ao desfecho do episódio e que poderia – para a sorte da família White (mas não para a nossa) – ter servido como encerramento da própria série ao mostrar Jesse chegando em casa e descobrindo que Walter havia limpado todos os vestígios de sua experiência com o mundo do crime. Assim, quando vemos o professor parado sobre uma ponte (representando, claro, a ligação entre seus dois mundos), percebemos que está refletindo justamente sobre que caminho seguir – uma ideia reforçada pelo belo plano que o traz contemplando duas pistas nas quais carros viajam em direções opostas.

Hollywood, Terra de Maiorias

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Nesta quarta-feira, a USC divulgou um estudo preocupante sobre a falta de diversidade na representação dos filmes hollywoodianos – ou seja: aqueles com maior alcance em todo o planeta. Para tornar tudo ainda mais desesperador, o estudo restringiu-se a analisar os 700 filmes mais vistos entre 2007 e 2014 (ou seja: as 100 maiores bilheterias de cada ano).

Os achados não surpreendem, mas entristecem. Alguns dos que listei no twitter mais cedo:

Nesta significativa amostragem…

* 73,1% dos personagens com falas ou nomes eram brancos;

* apenas 30,2% das personagens com falas ou nomes eram mulheres;

* apenas DEZENOVE PERSONAGENS eram homossexuais. NENHUM trans.

Entre as cem maiores bilheterias de 2014…

* apenas 1,9% foram dirigidas por mulheres.

* apenas 4,9% traziam personagens latinos com nomes ou falas.

* NENHUMA foi protagonizada por uma mulher com mais de 45 anos.

Se isto já não fosse o bastante para me entristecer, logo comecei a receber mensagens de usários procurando JUSTIFICAR a predominância de homens brancos cis hetero diante (ao menos como personagens) e atrás das câmeras.

“Ah, mas as mulheres não vão tanto ao cinema!” (Errado: elas correspondem a cerca de METADE do público pagante:http://www.mpaa.org/…/MPAA-Theatrical-Market-Statistics-201…)

“Ah, mas os latinos não vão tanto ao cinema!” (Errado: eles correspondem a UM QUARTO do que Hollywood considera como “espectadores frequentes”: http://www.mpaa.org/…/MPAA-Theatrical-Market-Statistics-201…)

E o meu favorito: gente que atribuiu a ausência de produções estreladas por mulheres mais velhas entre as maiores bilheterias à FALTA DE QUALIDADE deste “tipo de filme”.

Oh, boy. Vamos ver alguns dos “excelentes” filmes estrelados por homens que ficaram entre as maiores bilheterias de 2014?

6.O Hobbit 3
7.Transformers 4
13.Godzilla
15.Tartarugas Ninja
21.Policial em Apuros
28.Uma Noite no Museu 3
30.300 2
35.O Céu é de Verdade
38.Busca Implacável 3
46.Tiras, Só que Não
47.Caçadores de Obras-Primas
49.Hércules
50: The Purge 2
52.Pense Como Eles Também
55.Deus não Está Morto
56.O Filho de Deus
57.Aviões 2
60.Drácula: A História Nunca Contada
61.Quero Matar Meu Chefe 2
71.Sobre Ontem à Noite
72.No Olho do Tornado
73.O Juiz
80.Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola
82. Winter, o Golfinho 2
83.Os Mercenários 3
85.Sex Tape
91.Atividade Paranormal 72
95.Três Dias para Matar
96.Livrai-nos do Mal

Ou seja: dizer que a falta de filmes estrelados por mulheres mais velhas se deve à “falta de qualidade” é estupidez e preconceito. É ÓBVIO que há um problema de falta de diversidade na produção mainstream. Uma falta de diversidade que não reflete a diversidade do público – como atestam as estatísticas de bilheteria que listei acima.

Isto é fato, não é “vitimismo” – uma expressão que, quando usada, 99,9% surge da boca ou do teclado de alguém privilegiado que NUNCA teve que enfrentar barreiras sérias na vida.

Não é difícil se colocar no lugar do outro. Aliás, fazer este exercício de empatia é algo fundamental e profundamente humano sobre o qual falei ao discutir a primeira temporada de Sense8, cuja diversidade na representação é mais um motivo para apreciá-la (meu texto está emhttp://www4.cinemaemcena.com.br/diariodebordo/?p=4905).

Enfim. Para quem quiser conferir o estudo completo, o link é http://annenberg.usc.edu/…/Inequality%20in%20700%20Popular%….

True Detective – Segunda Temporada

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 19 comentários

A máxima felicidade que um personagem que habite um universo noir pode esperar são alguns minutos segurando a mão de uma quase estranha que divide seus dilemas enquanto ambos se encontram em um quartinho escuro, claustrofóbico e triste. Um sorriso no noir antece a tragédia; um suspiro de esperança prenuncia o pior destino possível.

Neste sentido, a segunda temporada de True Detective faz infinitamente mais jus ao gênero no qual se insere do que a primeira.

Não que seja melhor: a anterior, protagonizada por Matthew McConaughey e Woody Harrelson, era mais coesa e permitia um envolvimento maior por parte do público por se concentrar em um número menor de personagens, por ter uma trama (bem) mais simples e por sugerir elementos sobrenaturais que, em certos momentos, pareciam aproximá-la mais de Coração Satânico do que de Pacto de Sangue.

Em contrapartida, a história contada pelo criador Nic Pizzolatto em sua nova temporada parecia determinada a levar o próprio Raymond Chandler a balançar a cabeça e perguntar o que diabos estava acontecendo – Chandler que, vale lembrar, não soube responder quem havia matado determinado personagem em seu livro que inspirou À Beira do Abismo quando os roteiristas que o adaptaram (e um deles era William Faulkner!) ligaram para esclarecer a questão que também os confundia. Tramas complexas, portanto, fazem parte da alma do noir – e, mais do que isso, tramas que começam a partir de um incidente simples, mas que levam a repercussões cada vez maiores até que atingem um ponto no qual nem mesmo os personagens sabem dizer de que lado estão.

Como, por exemplo, o assassinato de um sujeito que, ligado ao prefeito de uma cidade corrompida, a especuladores imobiliários e a um ex-mafioso local, vira um cadáver com os olhos derretidos por ácido, o pênis estraçalhado por um tiro e sentado num banco no meio do nada. Para investigar o crime, um policial da cidade, uma de Los Angeles e um patrulheiro rodoviário são escalados em uma força-tarefa que aos poucos descobre ramificações que envolvem festas luxuosas frequentadas por milionários e prostitutas, a poluição proposital de terras antes produtivas para fins de especulação (uma subtrama com ecos de Chinatown), 5 milhões de dólares roubados de um bandido, um antigo roubo de diamantes que resultou na execução de um casal, o desaparecimento de uma bela imigrante, um antigo estupro e disputas entre mafiosos armênios, russos e mexicanos.

Complexo? Sim. Confuso? Por vezes. Mas nada que não tenha se tornado perfeitamente claro nos dois episódios finais.

A trama, no entanto, é o menos importante aqui; o essencial no noir é e sempre foi a atmosfera de desesperança, corrupção moral e tensão – e, também neste aspecto, True Detective volta a se destacar: frequentemente, os rostos dos personagens vividos por Colin Farrell, Vince Vaughn, Rachel McAdams e Taylor Kitsch pareciam sair do meio da escuridão que insistia em ocultar o resto de seus corpos. Suas vozes, saídas em sussurros que evocavam precaução e tristeza, recitavam diálogos que sugeriam a mesma construção clássica adotada no passado por personagens de Humphrey Bogart, James Cagney, Barbara Stanwyck, Fred MacMurray, William Holden, Lauren Bacall ou Robert Mitchum, que abandonavam qualquer pretensão de naturalismo em prol de figuras de linguagem sugestivas, elegantes e sempre impactantes.

Aliás, o quarteto principal desta temporada trazia o peso do mundo sobre os ombros: Colin Farrell, um ator cada vez mais fascinante, transformou seu Ray Velcoro em um homem incapaz de conviver com a constatação da própria podridão moral, conversando numa voz rouca que constantemente soava a cigarro, bebida e desilusão, ao passo que Vince Vaughn, presenteado com as melhores falas da temporada, superou um início problemático para se estabelecer como um dos pontos altos do projeto, criando um indivíduo que despertava nossa simpatia mesmo sendo (ou talvez por isso) o único a se assumir como criminoso desde o princípio. Enquanto isso, Rachel McAdams concebeu a policial Ani Bezzerides (uma referência clara a A.I. Bezzerides, roteirista de A Morte num Beijo) como uma mulher introspectiva, sempre reticente diante de qualquer homem e perfeitamente capaz de se defender em qualquer situação – o que conferiu aos seus momentos de fragilidade emocional um peso ainda maior. Para finalizar, Taylor Kitsch, preso à única subtrama que realmente parecia deslocada, se viu prejudicado por um personagem que, mesmo trágico do início ao fim, custou a se encaixar no restante da narrativa, o que prejudicou até mesmo sua saída da temporada, que deveria ter sido mais impactante do que foi.

Eficaz até mesmo ao trazer figuras aparentemente insignificantes que posteriormente se revelaram centrais à trama principal (outra tática recorrente dos bons policiais – não apenas do noir), esta nova temporada se diferenciou da anterior ao empregar o talento de vários diretores que, ainda assim, conseguiram manter a coesão do universo criado por Pizzolatto, resultando em cenas e sequências absolutamente memoráveis como a conversa entre Ray e Frank na cozinha, o fantástico tiroteio na rua, os encontros no restaurante embalados pela música da cantora solitária e, claro, aqueles que faziam referências orgânicas a clássicos do gênero como no plano abaixo, homenagem explícita a Crepúsculo dos Deuses:

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Com um desfecho infinitamente mais pessimista do que o da primeira temporada (que, temperamento de Rust Cohle à parte, foi até bastante positivo), a segunda temporada de True Detective enviou o espectador para fora daquele universo com a sensação de que o crime compensa, esperança é desperdício de energia e o amor só provoca dores e nada salva.

Com a sensação, portanto, de ter assistido a um noir impecável.

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Quarteto Fantástico – A Versão de 1994 (Legendada)

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Não sei se digo “de nada” ou “desculpa aí”.

O Mercado Não Vale Mais que Nossas Vidas

postado em by Pablo Villaça em Política | 11 comentários

Em vários estados dos Estados Unidos, os fabricantes de móveis são obrigados a aplicar anti-inflamáveis em tudo que produzem. No entanto, a maioria dos estudos indica que estes produtos não possuem resultado prático algum e que – o pior – provocam diversas doenças graves que vão desde infecções respiratórias até diversos tipos de câncer, tornando crianças particularmente vulneráveis aos seus efeitos.

E por que o uso destes produtos se tornou obrigatório? Simples: nas décadas anteriores à proibição de se fumar em lugares fechados, vários incêndios eram provocados por guimbas deixadas acesas enquanto os fumantes dormiam. Pressionadas a modificar os cigarros para que estes se apagassem rapidamente quando não estivessem sendo fumados, as corporações que os fabricavam contrataram empresas de publicidade e lobistas para que vendessem ao público que a responsabilidade era dos móveis que pegavam fogo, não do produto que INICIAVA os incêndios. A estratégia funcionou e virou lei.

Corta para a década passada. Com os estudos que comprovavam que os anti-inflamáveis provocavam doenças graves e não evitavam incêndios, advogados representando a sociedade civil entraram com processos para que as leis obrigando sua utilização fossem revogadas. Na audiência final, depois do depoimento de vários cientistas, um cirurgião plástico foi chamado para depor e relatou como havia atendido um bebê que, vitimado pelo fogo que tomou conta de seu berço quando sua mãe deixou uma vela acesa ao seu lado, morreu depois de agonizar por semanas.

O depoimento tocante e chocante foi o bastante para que a lei fosse mantida.

Em primeiro lugar, o tal depoimento não tinha qualquer valor científico, apenas apelo emocional. Mas este nem era o problema mais grave: dois jornalistas do Chicago Tribune descobriram que o tal médico havia repetido o mesmo depoimento, com mudanças significativas, em várias audiências similares. Questionado sobre isso, ele revelou que não acontecera de fato, tratando-se apenas de uma “anedota”. Como se não bastasse, ele havia sido pago para depor por um certo “Citizens for Fire Safety”  que vivia combatendo a iniciativa de se retirar anti-inflamáveis dos móveis.

Mais alguma investigação revelou que o tal instituto era financiado pelos três maiores fabricantes de anti-inflamáveis dos Estados Unidos.

Este caso, narrado no excelente documentário “Merchants of Doubt”, é um exemplo ilustrativo da principal estratégia das grandes corporações: com o objetivo de conseguirem o que desejam, elas aprenderam a usar a propaganda para trazer a opinião pública para o seu lado. No entanto, como não podem ganhar as pessoas com base em seus argumentos, já que estes são frágeis e incorretos, plantam dúvida, medo e conceitos genéricos como “liberdade” ou outros absurdos como “ambientalistas são comunistas disfarçados” na mente da opinião pública.

Outro exemplo presente no filme envolve a questão do aquecimento global: embora 99,9% dos cientistas que estudam o clima apontem que o aquecimento é provocado pelo homem e que deve ser combatido de forma urgente, as grandes empresas que trabalham com exploração de petróleo e carvão conseguiram levar parte da população a negar esta conclusão através de – mais uma vez – confusão, conceitos genéricos e preconceito. Criaram um documento assinado por 31.400 cientistas que “discordavam” do diagnóstico – e muitos jornalistas reproduziram esta discordância sem investigar os nomes dos tais cientistas, que incluíam “Charles Darwin”, personagens da ficção e “experts” que NUNCA haviam praticado ciência. A lista era tão fajuta que foi publicamente rechaçada pela mais importante instituição científica dos Estados Unidos.

Mas o estrago já estava feito: para estes vermes, vencer a batalha é algo impossível – e eles sabem disso -, então buscam apenas adiar qualquer tipo de lei que limite a poluição que criam. Enquanto isso, a Terra caminha para um ponto sem volta.

Como disse Noam Chomsky em seu artigo “Democracia de Mercado em uma Ordem Neoliberal”, para as corporações, “o lucro deve ser privatizado, mas o custo e os riscos devem ser socializados”.

Esta é a lógica da direita, que prega um mercado sem regulamentação (ou cuja parca regulamentação possa ser manipulada por lobistas) ) e privatização sem limites – e alguns podem até dizer que isto é mera questão de ideologia, mas prefiro acreditar se tratar de uma questão de simples falta de humanidade.

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UPDATE: De maneira previsível, alguns “libertários” (mais sobre este termo daqui a pouco) vieram defender a necessidade de se deixar o mercado livre, sem regulamentação, usando o caso dos antiinflamáveis como exemplo. O que convenientemente ignoram é que esta legislação foi colocada em prática JUSTAMENTE em função do esforço da indústria de tabaco para NÃO ser regulamentada.

Se fossem deixadas sem regulamentação, as corporações agiriam apenas com o instinto sociopata que as domina e que determina o lucro acima de tudo.

Quanto ao “libertário”, é interessante notar como defendem liberdade para o mercado às custas dos indivíduos – e não é à toa que um dos discursos genéricos que fazem para mover a população é precisamente o de que o Estado quer tirar a “liberdade” da sociedade ao tentar regular as empresas. Exatamente como é ilustrado por “Merchants of Doubt”.

Ao menos esses caras se mostram coerentes em sua falta de humanidade.

Teoria, Linguagem e Crítica – 55a. Edição – Belo Horizonte

postado em by Pablo Villaça em Curso | Comente  

Esta edição do Teoria, Linguagem e Crítica foi especial para mim por vários motivos: foi a primeira vez que fiz uma edição extra do curso (a que realizei em junho lotou tão rápido que decidi abrir esta turma de última hora); foi a primeira vez em que fiz um curso em um mês de férias em BH; foi a maior turma que já tive (75 alunos) e… bom… foi a primeira vez em que dei aula para meu filho, já que Luca assistiu às aulas.

Além disso, foi uma turma incrivelmente carinhosa: ganhei presentes, abraços apertados, bilhetes repletos de ternura e, principalmente, doce de leite. Foi também uma turma divertidíssima que comprovou a velha expressão de que Belo Horizonte é um ovo: no primeiro dia, tantos alunos reconheceram uns aos outros (“Já estudamos juntos!”, “Já trabalhamos juntos!”, “Somos vizinhos!”) que acabei acreditando estar em um episódio de LOST. Por outro lado, o fato de a turma ser tão grande acabou comprometendo a avaliação da sala em que ministrei as aulas, o que é uma pena.

Ainda assim, foi uma semana linda. E em tempos de tanto ódio, eu precisava disso.

Como de hábito, entreguei um formulário ao final do curso para que os alunos comentassem e atribuíssem “pontos” à experiência, que incluía os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível). As notas das edições anteriores: 4,40 (quinquagésima-quarta);  4,45 (quinquagésima-terceira);  4,43 (quinquagésima-segunda); 4,29 (quinquagésima-primeira); 4,44 (quinquagésima); 4,66 (quadragésima nona); 4,33 (quadragésima oitava); 4,48 (quadragésima sétima); 4,50 (quadragésima sexta); 4,56 (quadragésima quinta), 4,62 (quadragésima quarta), 4,51 (quadragésima terceira), 4,37 (quadragésima segunda), 4,39 (quadragésima primeira), 4,75 (quadragésima), 4,67 (Trigésima nona), 4,61 (Trigésima oitava), 4,62 (Trigésima sétima), 4,7 (Trigésima sexta), 4,53 (Trigésima quinta), 4,44 (Trigésima quarta), 4,58 (Trigésima terceira), 4,62 (Trigésima segunda), 4,54 (Trigésima primeira), 4,44 (Trigésima), 4,65 e 4,63 (Vigésima nona – Tarde e Noite), 4,49 e 4,47 (Vigésima oitava – Tarde e Noite), 4,48 (Vigésima sétima), 4,73 (Vigésima sexta), 4,51 (Vigésima quinta), 4,62 (Vigésima quarta), 4,57 (Vigésima terceira), 4,71 (Vigésima segunda), 4,64 (Vigésima primeira), 4,62 (Vigésima), 4,68 (Décima nona), 4,58 (Décima oitava), 4,20 (Décima sétima), 4,40 (Décima sexta), 4,62 (Décima quinta), 4,57 (Décima quarta), 4,47 (Décima terceira), 4,57 (Décima segunda), 4,76 (Décima primeira), 4,22 (Décima), 4,33 (Nona), 4,45 (Oitava), 4,07 (Sétima), 4,44 (Sexta) e 4,27 (Quinta). Estas avaliações incluem os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível).

As médias das notas foram:
Infra-estrutura: 3,34 
Conteúdo: 4,69
Didática: 4,91
Estrutura do curso: 4,60

Média geral: 4,38

Sem considerar o auditório, levando em conta apenas o curso em si, a média seria 4,73.

Para concluir, a foto tradicional de formatura. Ou melhor… fotos, já que a turma era tão grande que tive que dividi-la em duas:

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Aos Companheiros de Depressão

postado em by Pablo Villaça em Cotidiano, Variados | 12 comentários

Praticamente todos os dias recebo mensagens de leitores que, lutando contra a depressão, manifestam uma profunda insegurança com relação à própria capacidade de seguir adiante, expressando também uma frustração óbvia diante da força da doença. Como já escrevi várias vezes sobre minhas próprias experiências como depressivo crônico, creio ser natural que acabe sendo o destinatário de mensagens do tipo – e procuro respondê-las na medida do possível.

Aliás, parte da motivação destas pessoas – desconfio – reside na oportunidade de se abrir sobre o que sentem sem o receio de serem julgadas, já que sabem estar “conversando” com alguém que divide sua ansiedade. Há, infelizmente, um estigma persistente relacionado à depressão. “Por que você não faz um esforço?”, “Será que não percebe como tem tudo pra ser feliz?”, “Você se entrega demais” – frases assim trazem um julgamento implícito, por mais bem intencionadas que sejam, já que dão a entender que, de certa forma, o depressivo “permite” sê-lo.

Além disso, a depressão, como qualquer doença, reage de maneiras diferentes aos mesmos tratamentos dependendo de cada paciente. Não é incomum que um antidepressivo que funcionou por anos de repente se mostre incapaz de conter uma crise mais forte.

E, no entanto, quando isso acontece, a perversidade da doença envolve levar sua vítima a acreditar que a falha é sua como indivíduo, não de seu metabolismo ou do remédio. E como falar de depressão permanece sendo tabu, cada um de nós sofre calado, frustrado e envergonhado.

É por esta razão que, depois de conversar com uma leitora via inbox esta semana, me senti compelido a compartilhar algo para que, no mínimo, meus companheiros de doença possam ter a certeza de que não estão sozinhos, de que não são “aberrações” ou criaturas fracas.

Não vou citar, claro, o nome da leitora, mas seu desabafo entristecido sobre o fato de lutar há 5 anos contra a depressão me comoveu. Ela parecia acreditar que suas recaídas eram uma falha de caráter que apenas a tornavam um estorvo para seus familiares e amigos.

Pois bem: eu me percebi depressivo pela primeira vez aos 15 anos de idade. Convivo com a doença, portanto, há quase 26 anos – e me medico diariamente há 12.

E em setembro do ano passado, em Porto Alegre, amarrei um cinto em torno do pescoço, prendi a outra extremidade no box do chuveiro de meu quarto do hotel e me preparei para morrer.

Não tive consciência, naquele momento, de que estava prestes a cometer suicídio. Não estava chorando desesperadamente enquanto agia, não havia escrito carta de despedida e nem planejara me matar. Estava na capital gaúcha ministrando um curso e vivia uma crise depressiva que se tornara mais grave em função de várias circunstâncias – entre elas, o fato de ter acabado de anunciar que o Cinema em Cena, que eu criara há quase 17 anos, iria chegar ao fim. O estresse havia provocado um derrame em meu olho direito, o fim do site me entristecia imensamente e a depressão me golpeava há algumas semanas insistentemente.

Sozinho em meu quarto de hotel, após voltar da aula, me entreguei aos velhos pensamentos suicidas e de repente me ocorreu “experimentar” a sensação de morrer.

Apertei o cinto, dobrei as pernas e deixei a gravidade agir. Senti a cabeça inchar de sangue, percebi a pulsação das artérias do pescoço contra o couro do cinto e me dei conta de que se permanecesse assim por mais alguns segundos, desmaiaria. E que isso seria o fim.

E imaginei meus filhos recebendo a notícia de que o papai havia morrido.

Firmei os pés, me ergui e só então, já sentado na cama, chorei de verdade.

A primeira coisa que fiz ao retornar a BH foi procurar a psiquiatra, contar o que havia acontecido e trocar meu medicamento. Aos poucos, melhorei novamente. Sim, os pensamentos suicidas continuam, mas apenas como… pensamentos. Não voltei a cogitar seriamente a hipótese de colocá-los em prática.

Há dias piores e dias melhores. Mas, desde então, não houve muitos dias desesperadores.

Pois a verdade é que a menos que você esteja lidando com uma doença incurável e fatal, o suicídio será – e busco sempre me lembrar disso – uma decisão permanente para um problema temporário. Se eu tivesse hesitado um pouco mais e morrido naquele banheiro de hotel, teria perdido momentos lindos com meus filhos. Teria perdido a reação comovente dos leitores diante do anúncio do fim do Cinema em Cena. Não teria ido à Suécia e a Cannes. Não teria rido tantas vezes com os amigos. Não teria conhecido tantos novos alunos. Não teria escrito sobre a Mulher no Livro de Granito e tantos outros textos. Não teria tanta coisa que apenas imaginar estas quase perdas me deixam agradecido por ter voltado a ficar de pé antes de perder a consciência.

E percebam que esta foi a primeira vez em que cheguei realmente perto de um ato tão extremo – depois de 25 ANOS de depressão.

Esta é a questão, não é mesmo? Um único momento de fraqueza pode ser o bastante para jogar anos e anos de luta no lixo. E é por isto que não só devemos nos manter atentos para os sinais que nossa mente nos envia (a fim de buscarmos ajuda assim que constatamos uma recaída) como também precisamos expressar o que sentimos. Esconder a depressão é como oferecer abrigo a um serial killer na esperança de que este não nos mate – ele pode até se comportar por algum tempo, mas em certo momento aproveitará a vulnerabilidade e a solidão de seu anfitrião para fazer aquilo no qual se especializou.

Portanto… fale sobre como está se sentindo. Compartilhe com as pessoas em quem confia. Ou em fóruns/sites especializados. Discuta com seu psicólogo/psiquiatra/terapeuta. Ou mesmo com um companheiro de depressão via inbox.

E o mais importante: lembre-se sempre de firmar os pés no chão. É o que eu pretendo fazer.

A Arte do Filme – 17a. Edição – São Paulo

postado em by Pablo Villaça em Curso | 1 comente

Há quase um ano eu não ministrava o curso “A Arte do Filme: Forma e Estilo Cinematográficos”, já que desde a edição ocorrida em agosto (em Porto Alegre) lancei o curso sobre O Poderoso Chefão e desaposentei o Teoria, Linguagem e Crítica.

Eu estava com saudade e nem havia me dado conta – e o bom humor da turma de São Paulo ajudou bastante. Normalmente, brinco muito nas aulas, mas acho que nesta edição devo ter rido mais do que os alunos, que estavam inspiradíssimos – até mesmo nas cortadas (em tom de brincadeira!) que davam aqui e ali. Este, vale apontar, é um dos maiores atrativos da sala de aula: a dinâmica que se estabelece com os alunos, a troca de informações, diálogos e brincadeiras. Adorei.

Como de hábito, entreguei um formulário ao final do curso para que os alunos comentassem e atribuíssem “pontos” à experiência, que incluía os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível). As notas das edições anteriores: 4,64 (Décima-sexta); 4,66 (Décima-quinta); 4,55 (Décima-quarta); 4,59 (Décima-terceira); 4,35 (Décima-segunda);  4,76 (Décima-primeira); 4,22 (Décima); 4,42 (Nona); 4,64 (Oitava);  4,66 (Sétima); 4,49 (Sexta); 4,53 (Quinta); 4,42 (Quarta); 4,41 (Terceira); 4,38 (Segunda); 4,54 (Primeira).

As médias das notas foram:
Infra-estrutura: 3,98
Conteúdo: 4,93
Didática: 4,98
Estrutura do curso: 4,79

Média geral: 4,67.

Sem considerar o auditório, levando em conta apenas o curso em si, a média seria 4,9 (a melhor até hoje).

Para concluir, a foto tradicional de formatura. (No entanto, como por distração levei a lente de 55mm em vez de uma grande angular, tive que dividir a turma em segmentos.)

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