Cargo

postado em by Pablo Villaça em Vídeos | 3 comentários

Quando você acha que já viu de tudo no subgênero “filme de zumbi”, vem um curta australiano com um conceito simples, tocante e eficaz.

Decifrando o Padrinho – 1a. Edição – São Paulo

postado em by Pablo Villaça em Curso | 1 comente

Uma semana. 15 horas. 55 pessoas discutindo e analisando cada plano de O Poderoso Chefão. Foi assim a estreia do novo curso em São Paulo.

Confesso que fiquei temeroso de que a ideia não funcionasse. Uma semana inteira dedicada a um único filme? Não poderia dar certo, poderia?

Aparentemente, deu. Tanto que esta primeira edição de Decifrando o Padrinho alcançou a maior nota entre todas as edições de todos os cursos que ministrei até hoje (um total de 57 edições em todas as regiões do país). Além disso, admito que a confiança dos alunos me tocou: afinal, lotaram a primeira turma sem que tivessem referência alguma de outras experiências similares a não ser aquelas dos “módulos” anteriores. Felizmente, tudo correu bem – e não poderia ser diferente, considerando que estávamos mergulhados naquela que considero a obra máxima do Cinema. E o mais bacana foi perceber, ao longo da semana, como o filme de Coppola ainda reserva surpresas mesmo depois de tantas horas que passei ao seu lado.

Como de hábito, entreguei um formulário ao final do curso para que os alunos comentassem e atribuíssem “pontos” à experiência, que incluía os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível).

As médias das notas foram:
Infra-estrutura: 4,55
Conteúdo: 4,98
Didática: 4,98
Estrutura do curso: 4,72

Média geral: 4,81.

Sem considerar o auditório, levando em conta apenas o curso em si, a média seria 4,89 (a maior entre todas as edições de todos os cursos que ministrei até hoje).

Para concluir, a foto tradicional de formatura:

decifrando01sp

Forma e Estilo – 16a. Edição – Porto Alegre

postado em by Pablo Villaça em Curso | Comente  

A semana que passei em Porto Alegre para a 16a. edição do Forma e Estilo foi uma das mais estressantes da minha vida: não só anunciamos o encerramento das atividades do Cinema em Cena no meio da minha passagem pela cidade como ainda havia a tensão dos preparativos finais do novo curso sobre O Poderoso Chefão. O estresse foi tamanho, vale dizer, que tive um novo derrame na retina do olho direito. E, no entanto, aqueles dias poderiam ter sido infinitamente piores.

Se não foram, devo isso aos alunos daquela turma.

Como cheguei a mencionar numa entrevista a O Tempo concedida naquela sexta-feira, a energia que os alunos me emprestaram foi fundamental para que eu “sobrevivesse” a dias tão tristes – o que só serviu para reforçar meu amor por estes cursos e pela oportunidade que me oferecem de encontrar tantas pessoas fabulosas.

Obrigado mesmo aos gaúchos: vocês não têm ideia da importância que tiveram.

Como de hábito, entreguei um formulário ao final do curso para que os alunos comentassem e atribuíssem “pontos” à experiência, que incluía os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível). As notas das edições anteriores: 4,66 (Décima-quinta); 4,55 (Décima-quarta); 4,59 (Décima-terceira); 4,35 (Décima-segunda);  4,76 (Décima-primeira); 4,22 (Décima); 4,42 (Nona); 4,64 (Oitava);  4,66 (Sétima); 4,49 (Sexta); 4,53 (Quinta); 4,42 (Quarta); 4,41 (Terceira); 4,38 (Segunda); 4,54 (Primeira).

As médias das notas foram:
Infra-estrutura: 4,22
Conteúdo: 4,91
Didática: 4,91
Estrutura do curso: 4,51

Média geral: 4,64.

Sem considerar o auditório, levando em conta apenas o curso em si, a média seria 4,78 (uma das melhores até hoje).

Para concluir, a foto tradicional de formatura:

turmapoa082014
E mais o Leonel, que estava lanchando na hora da foto:005

A Democracia Particular de Aécio Neves (ou “Os 66″)

postado em by Pablo Villaça em Política | 55 comentários

Eu escrevo.

É o que sei fazer. É minha profissão, minha terapia, minha principal forma de expressão e também a maneira com que defendo meus ideais.

Há quem discurse. Há quem se candidate a cargos públicos. Há quem troque socos. Eu escrevo.

Não que escrever sobre política seja minha principal ocupação – ou mesmo secundária. Em número absoluto de palavras, o Cinema certamente domina meus textos – tanto na forma de críticas e posts, como também nos roteiros que escrevi e dirigi e no livro que publiquei. Em segundo lugar, vêm os contos. Só então, os textos nos quais busco discutir minhas posições políticas.

Tenho algumas regras, porém: não me importo com a vida pessoal de quem quer que seja. Não aceito dinheiro para defender uma causa (não que jamais tenham oferecido). Não separo sujeito de verbo (esta regra deveria ser seguida por mais pessoas, mas divago).

Assim, foi com surpresa que, neste domingo, me descobri numa lista de 66 tuiteiros que o candidato à Presidência da República, sr. Aécio Neves, quer ver calados. De acordo com o processo no. 1081839-36.2014.8.26.0100, Neves exige que o Twitter entregue a ele os dados pessoais e sigilosos de 66 pessoas que mantêm contas naquela rede social – e duvido que o objetivo final seja encaminhar flores ou chocolates para cada um. Em outras palavras: um senador da República, ex-governador de Minas Gerais e um dos três principais presidenciáveis do país (ok, ele é o terceiro) está buscando intimidar cidadãos que se atreveram a criticá-lo.

Caro senador, como diriam os Corleone, “não é pessoal; são apenas negócios”.

Nunca escrevi, por exemplo, sobre os insistentes boatos envolvendo o político e o consumo de drogas – boatos tão comuns que já inspiraram gritos de torcida em estádio e levaram até mesmo um aspirante a comediante notoriamente reacionário e que certamente enxerga a candidatura de Aécio com bons olhos a fazer piadas em seu stand up sobre a fama do senador. E sabem por que nunca escrevi? Porque nunca vi Aécio Neves consumir drogas e jamais li uma notícia que trouxesse evidências inquestionáveis sobre isso. Sim, ele já foi filmado embriagado, já foi parado por blitz e se recusou a fazer teste do bafômetro, tendo sua carteira apreendida, e também deu uma entrevista recente à TV Estadão no qual cambaleava, trazia um olhar perdido e falava com dicção incerta, mas, embora eu possa questionar o bom senso de um candidato a presidente que se deixa flagrar embriagado em ao menos duas ocasiões (a entrevista ao Estadão poderia ser fruto de, sei lá, um efeito de medicamento para alergia), jamais me ocorreria questionar sua corrida presidencial a partir disso. Álcool não é ilegal e cada um faz o que quiser em seu tempo livre.

Não. O que realmente me preocupa com relação a Aécio Neves – e que já me inspirou, aí, sim, a escrever sobre sua candidatura – é sua gestão em Minas Gerais, estado no qual nasci, cresci e ainda resido. Eu me preocupo, por exemplo, com o fato de MG ser, entre os 26 estados e o Distrito Federal, apenas o 24o. em termos de gastos com Educação num balanço publicado em 2011 (Aécio deixou o governo ao fim de 2010). Eu me preocupo que sejamos também o 24o. estado nos gastos com Saúde. Eu me preocupo com o fato de a dívida pública de MG ser a 2a. maior e uma das mais caras do país. Eu me preocupo com os 4,3 bilhões de reais desviados da Saúde em MG, seja Aécio Neves réu na ação ou não (era o governador, afinal). Eu me preocupo com o aeroporto em Cláudio e outras questões relacionadas a ele (inclusive a possibilidade de ser rota para o tráfico). Eu me preocupo com o fato de haver um jornalista preso em MG há meses, sendo que seus advogados enfrentaram dificuldades para ter acesso ao processo e que a justificativa da juíza para mantê-lo na cadeia tenha sido (pasmem) a possibilidade de que ele viesse a publicar mentiras em seu jornal (uma justificativa ao melhor estilo Minority Report). E, não menos importante, me preocupa muito os relatos constantes de tentativas frequentes de censura ou retaliação a jornalistas que ousam criticar o ex-governador (e, ao final deste post, incluirei um doc produzido por um canal estrangeiro sobre o assunto e que, numa comprovação de que desconhece o conceito de “ironia”, Aécio tentou censurar).

Não creio que, como cidadão, eu esteja abusando de meus direitos ao abordar estes assuntos. Não enxergo, sinceramente, qualquer justificativa para que o senador, ex-governador e agora presidenciável recorra à justiça para tentar me intimidar.

No processo, Aécio alega que os tuiteiros (detesto essa palavra, mas vá lá) são provavelmente “robôs” ou perfis “remunerados para veicular conteúdo ilícito”.

Não sou advogado, mas isto me parece calúnia. Depois de 20 anos de carreira e de ser publicado em português e inglês em veículos que vão do Cinema em Cena ao site de Roger Ebert (desde quando era hospedado pelo jornal Chicago Sun-Times), ser chamado de “robô” é algo inédito para mim – bom, isto se não contar a minha namorada de adolescência que me acusou de dançar como um andróide e me traumatizou para o resto da vida, me impedindo de voltar às pistas de dança e frustrando meu sonho de me profissionalizar usando o pseudônimo de “Tony Mineiro”.

Além disso, venho de uma família para a qual a política é assunto muito, muito sério. Como já escrevi em outras ocasiões, minha mãe e meus tios lutaram contra a Ditadura e tenho parentes que carregam até hoje as sequelas das torturas sofridas nos porões malditos do DOI-Codi. Milito politicamente desde os 18 anos – nunca profissionalmente, mas, sim, de forma contínua. Se não ocorre a Aécio que alguém possa defender ideais apenas por amor, sinto por ele, mas é o que faço. Como já escrevi antes, eu me preocupo com o Brasil no qual meus filhos irão crescer. Esta motivação é suficiente para me manter ativo.

Mas, como dito no início deste post, minha ferramenta é a escrita. Não tenho uma fortuna para investir em marketing pessoal ou para propagar minhas ideias. Não tenho poder político para influenciar legisladores ou quem quer que seja. Escrevo porque preciso, porque amo escrever e porque é minha maneira de tentar ser escutado e de compartilhar minhas preocupações. Depois de duas décadas escrevendo, tenho um número considerável de leitores e me orgulho não só disso, mas do carinho com que estes leitores me presenteiam continuamente.

Já Aécio tem, à sua disposição, armas como dinheiro e poder político. E é preocupante que, apenas por ser criticado (e é, afinal, uma pessoa pública que quer gerir o futuro do país), ele tente usar suas ferramentas para me impedir de usar a minha.

Robin Williams, um ator que nos fez rir e chorar

postado em by Pablo Villaça em Cinema | 25 comentários

A primeira vez em que ouvi falar do nome “Robin Williams” foi em 1986 ou 1987, lendo numa revista de cinema alguma nota sobre Bom Dia, Vietnã e o fato de que era considerado um dos favoritos ao Oscar. Como jovem cinéfilo, quis imediatamente ver o filme, mas não conhecia seu protagonista e, aos 12 anos, não sabia muito bem nem o que havia sido o tal Vietnã. Pouco depois, ao visitar o Video Clube do Brasil na época que marcou a chegada do videocassete ao Brasil, descobri em seu acervo uma cópia (pirata, como eram todas) de Popeye e a levei para casa. Era um VHS vagabundo, com péssima imagem, legendas trôpegas (e que nem traduziam as músicas), mas que me impressionou muito pelo universo que criava e pelo ator que havia conseguido transformar o personagem animado que eu crescera vendo em uma criatura de carne-e-osso. Ao ler seu nome nos créditos, percebi que era o tal ator do Bom Dia, Vietnã.

Alguns anos depois, seu Sociedade dos Poetas Mortos foi lançado no Brasil e permaneceu em cartaz em Belo Horizonte por quase dois anos – e lembro-me de ler matérias sobre ter sido o longa que mais tempo permaneceu em exibição na cidade, num tempo em que os cinemas de rua imperavam e uma produção tinha tempo para criar boca-a-boca e um público cativo. Emocionei-me com sua história simples, mas humana, e até hoje me arrepio ao lembrar da cena na qual os estudantes veem as fotos antigas de outros alunos, agora todos mortos, e aprendem o conceito do carpe diem.

Veio, então, Um Tempo de Despertar - e foi vendo aquele filme no cine Acaiaca que decidi cursar Medicina (e o fiz) e me tornei fã de Oliver Sacks, que Robin Williams encarnou de maneira impecável. Sim, o personagem de Robert De Niro é o grande chamariz deste lindo longa, mas a performance de Williams não só recria todos os maneirismos de Sacks como ainda cria um homem tímido, inseguro, com o qual passamos a nos importar. É uma interpretação sensível que só um ser humano com grande alma poderia oferecer (e digo isso como ateu).

Com o passar do tempo, redescobri ou fui presentado com obras como O Mundo Segundo GarpVoltar a Morrer e, claro, O Pescador de Ilusões. Ri com suas breves aparições em Nove Meses As Aventuras do Barão de Münchausen, sonhei em ouvir sua versão do Gênio de Aladdin em uma época na qual somente cópias dubladas das animações eram lançadas (e não havia o DVD para trazer trilhas alternativas) e jamais esqueci sua dor ao dizer, ao final de Uma Babá Quase Perfeita, como era “viciado” em seus filhos – um vício ao qual eu próprio sucumbiria tempos depois.

Foi mais ou menos neste período, aliás, que percebi que todos os trabalhos de Williams, mesmo os mais cômicos, traziam um subtexto de dor que ele projetava com os lábios finos encurvados, os olhos doloridos e as mãos estendidas à frente do corpo, como se tentasse se proteger do mundo. Notei, ali, o que tornava suas performances tão memoráveis: dramáticas ou cômicas, elas projetavam vulnerabilidade e uma certa impotência diante do mundo.

Quando descobri que Robin Williams enfrentava problemas com drogas, álcool e depressão, não me surpreendi.

Ao longo das décadas seguintes, Williams me fez rir e chorar. Provocou um incômodo profundo com suas performances assustadoras em Retratos de uma Obsessão Insônia. Estabeleceu uma química invejável com Nathan Lane na eficiente refilmagem de A Gaiola das Loucas. Demonstrou falta de ego absoluta ao surgir sempre desfocado em Desconstruindo Harry. Fez uma pequena, mas emblemática, participação no Hamlet de Kenneth Branagh (a melhor versão de todas) depois de dividir com ele a cena no subestimado Voltar a Morrer. Foi instrumental para o sucesso de Gênio Indomável. Revelou coragem ao atuar no complicado O Melhor Pai do Mundo. Enriqueceu a já linda Louie com sua belíssima participação em um episódio memorável.

E se matou em 11 de agosto de 2014 ao finalmente sucumbir à depressão que o perseguia há décadas.

Imagino Williams sozinho em sua casa, de madrugada, confrontando os velhos demônios. E decidindo que já não queria mais enfrentá-los.

Sempre que ouço a notícia de que alguém se matou, tenho a sensação de descobrir que mais um companheiro desabou no campo de batalha. Assim funciona a depressão, esta inimiga traiçoeira e persistente: você pode enfrentá-la por décadas; basta um momento de distração para que ela te destrua. Não há fama, fortuna ou realizações profissionais que a afastem – é preciso ter força constante para entender que o suicídio, como dizem, é uma solução permanente para problemas temporários.

Mais fácil dito que vivido, eu sei. Como sei.

O fato é que Robin Williams não existe mais. Levou consigo seu talento único para o improviso. Sua capacidade de saltar de um tema a outro com a velocidade de uma piscada. E o dom da empatia que o tornou tão eficiente ao viver todo tipo de personagem por entender seus dramas mais íntimos.

Morreu o “Capitão, oh, meu Capitão”. Morreu o homem que, mesmo enlouquecido pela morte da esposa em O Pescador de Ilusões, transformava o caos de uma estação de trem num balé harmonioso e adorável. O pai que se disfarçou para conviver com os filhos. O Gênio que se metamorfoseava com a mesma habilidade de seu dublador.

O artista que me fez rir e chorar tantas vezes.

——————————————–

Abaixo, um exemplo de seu talento para a improvisação durante entrevista a James Lipton no Inside the Actor’s Studio (aos 4:55):

Legado

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Curso | 9 comentários

Este ano completarei 40 anos de idade. É bastante provável que esteja próximo da metade do meu tempo na Terra – para mais ou para menos. É inevitável, neste contexto, não começar a pensar na palavra “legado”, especialmente considerando que meu pai morreu exatamente aos 40 anos em um acidente de carro e, portanto, esta é uma data que já me aterroriza há um longo tempo. Há uma certa morbidez neste tipo de pensamento, reconheço, mas também um benefício lógico: a cada dia que passa, tento ser alguém melhor do que era no dia anterior. Nem sempre consigo: explodo em redes sociais, ofendo pessoas (não interessa se provocado ou não) e ajo impulsivamente quando já deveria ter idade suficiente para ter aprendido que tudo – tudo! – exige reflexão. Mas sigo tentando. Falhando muito, ainda, mas tentando.

Tenho aprendido que, se antes acreditava saber tudo, hoje sei pouco. Ou desaprendi ou nunca soube e só agora percebo isso. Vejo figuras que admiro e me percebo distante delas em conteúdo, maturidade e sensibilidade.

Mas – de novo – sigo tentando melhorar.

Ao refletir sobre este “legado”, há alguns dias, me ocorreu que, além de Luca e Nina, produzi alguns outros “filhotes” dos quais me orgulho imensamente – mesmo reconhecendo que minha participação naquilo que produzem é mínima: contribuí com algumas horas de experiências compartilhadas e só. O que veio a seguir é mérito total e absoluto deles. Ainda assim, por saber que desempenhei um diminuto papel no crescimento destas pessoas no que diz respeito ao amor que compartilhamos (o Cinema), já me sinto… feliz.

Estou falando, claro, sobre os alunos que acumulei ao longo destes cinco anos de viagens com os cursos pelo Brasil. Alunos que produzem seus próprios conteúdos em seus espaços pessoais e profissionais que compartilho com vocês abaixo, esperando que prestigiem a riqueza de ideias e discussões que certamente encontrarão nesta lista. Foram mais de 2 mil alunos de 2009 pra cá e, portanto, a relação a seguir é uma pequena parcela deste número, mas não menos representativa.

Mesmo sabendo que é presunção minha, considero cada um deles como parte do meu legado.

Adriano Cardoso: http://cinemacomadrianocardoso.blogspot.com.br

Adriano Garrett: www.cinefestivais.com.br

Aline Fernanda: www.cinemascope.com.br

Aline Guevara: www.experimento42.com.br

Aline Monteiro, Daniel Bessa, Fabrício Carlos, João Golin, Larissa Padron e Tullio Dias: www.cinemadebuteco.com.br

Amanda Aouad Almeida e Ari Cabral: www.cinepipocacult.com.br

Angelo Costa: www.falacinefilo.com.br

Attilio Gorini: http://www.planocritico.com/

Barbara Soares: Www.daiblog.com.br

Bruno Carvalho: www.ligadoemserie.com.br

Bruno Cesar e Daniel Pelegrini: http://olharleigo.com/

Caio Guilherme Muniz: www.porqueassistir.com

Caio Pimenta: http://blogs.d24am.com/cineset/

Carlos Carvalho: www.setimacena.com

Cristine Tellier: www.luzescameracafe.com.br

Dalton Marques: http://www.daltonmarques.blogspot.com.br/

Daniel Guilarducci e Maurício Costa: Razaodeaspecto.blogspot.com

Daniel Oliveira: www.cinefiloemserie.blogspot.com.br

Diego Domingos: http://www.cinemanews2.com.br

Fabrício Veloso: http://8super8.blogspot.com.br/

Felipe Fonseca: http://www.planosequencia.com.br/

Felipe Teixeira: www.blogserinema.blogspot.com

Flávio Junio: www.cineprise.com.br

Gabriel Escudero: http://escrevendosobrecinema.com.br

Gilberto Bruno: http://www.intoleravel.com.br/

Giordano Gio: www.filak.com.br

Guilherme Jorge Huyer: http://fakeline.wordpress.com/

Ivan Pereira: http://cinemavirgula.blogspot.com/

Ivanildo Pereira: http://www.artecompipoca.net/oblogquenaoestavala/

Jacker Marini: www.figurama.com.br

Jaime Junior: http://ocinefilo.net

Jason Almeida: www.cineprosa.com.br

José Guilherme: http://www.loggado.com/

Karina Cassare Martins: www.central42.com.br

Lucas Nascimento: http://lucasfilmes.wordpress.com/

Luiz Fernando Riesemberg: http://riesemberg.blogspot.com.br

Marcelo Seabra: pipoqueiro.wordpress.com

Marcio L. Santos: http://callmemisterglass.wordpress.com

Márcio M Andrade: www.zonacritica.com.br

Marcio Sallem: Http://blogsoestado.com/EmCartaz

Marden Machado: http://www.cinemarden.com.br

Mariana González: http://bitfairytale.wordpress.com

Maurício Costa: www.razaodeaspecto.blogspot.com

Mauricio Lammardo: http://cineclubedoscinco.com/

Michael Guima: http://universoe.wordpress.com

Pedro Ivo Maximino: http://mentesemfio.com/

Rafael Carvalho: http://movioladigital.blogspot.com.br e http://coisasdecinema.com.br/2013/críticas

Raphael Carrozzo: http://janelacinematografica.wordpress.com

Rebecca Albino: www.cineopinativo.com

Rick Monteiro: www.zonacritica.com.br

Roberto Siqueira: http://cinemaedebate.com

Rodrigo Baldin: www.central42.com.br

Rodrigo Cunha: www.cineplayers.com

Rodrigo Mutuca: http://rodrigomutuca.com/

Stéfanie Stefaisk Medeiros: Www.quemcontaumcontoblog.wordpress.com

Thomás R. Boeira: http://brazilianmovieguy.blogspot.com.br/

Tiago Paes de Lira: http://umtigrenocinema.com

Ulisses Da Motta Costa: http://www.jornalnh.com.br/…/entreteni…/setima_das_artes

Victor Rodrigues: http://sayhellotomylittleblog.wordpress.com/

Victor Ruiz: http://www.cinema7.com.br/

Vinicius Carlos Vieira: http://www.cinemaqui.com.br/

Vinícius Colares: http://www4.cinemaemcena.com.br/doutorcaligari

Wallace Andrioli: www.novascronicas.blogspot.com

Wanderlei Souza: http://diretodocinema.com.br/

Yuri Correa: http://classedecinema.blogspot.com.br/ e http://www.papodecinema.com.br/

Hackers da década de 80 e a série 24 Horas na década de 90

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê, Vídeos | 3 comentários

Como o Cinema retratava os hackers em atividade na década de 80? (Supercut)

Aliás, este vídeo me fez lembrar de outro, criado pelo College Humor, que mostra como seria o piloto da série 24 Horas caso tivesse sido produzido na década de 90:

Retórica vazia, egoísmo completo

postado em by Pablo Villaça em Política | 28 comentários

Hoje, um ex-aluno e leitor veio dizer, no Twitter, que “não consegue confiar no governo federal” e que este “não fez nada em quatro anos que inspirasse confiança”. Pedi que fosse mais específico em suas críticas, já que é impossível esclarecer o que quer que seja quando alguém se entrega a generalizações. A resposta dele? “As jornadas de junho comprovam” e pronto.

Suspiro.

Pra piorar, mesmo não apresentando um único argumento que sustentasse sua posição, ele imediatamente disse que eu defendia “cegamente” o governo. É o tipo de retórica mais canalha que existe: você ataca, ataca, ataca (mesmo sem argumentos); quando o outro defende, ELE é o “radical”, o “cego”.

Sabem qual é o problema desses coxinhas? Eles não podem dizer o que querem de verdade: “O governo pensa mais nos pobres do que em mim!”, então precisam ficar inventando desculpa. “Podia estar melhor”, “O ‘mercado’ não quer Dilma”, blablabla. Não sabem o que foi viver no Brasil na era FHC. Não sabem o que era o desemprego que levava gente com curso superior a fazer prova pra gari. Não sabem o que é ter que escolher entre almoço e jantar – com sorte. O que é um moleque de 9 anos ter que trabalhar pra ajudar em casa. Nao sabem o que era estudar numa universidade federal sucateada e sob ameaça constante de privatização. Não sabem o que era viver de um salário mínimo que não dava pra comprar UMA cesta básica (hoje compra mais de duas). Então ficam no “blablajornadasdejunhoblablamensalãofoiopiorcasodecorrupçãodahistóriablabla”.

Sejam honestos, porra! Digam: “PENSO SÓ EM MIM”.

Não falem de corrupção pra atacar um governo que fez o que FHC e o PSDB não fizeram e não fazem: permitiu investigação. É MUITO FÁCIL bancar o honesto quando se mantém a imprensa amordaçada. Foi só sair de MG que os podres de Aécio começaram a surgir. Aliás, surgir FORA de Minas, porque aqui os principais jornais continuam calados.

Estou cansado de ter que rebater retórica vazia. Como seria bom ter uma oposição que pensasse, que permitisse debate de igual pra igual. Em vez disso, tenho que passar raiva ouvindo gente falar de “mensalão” e perguntando “quando PT vai devolver dinheiro público”. QUE DINHEIRO PÚBLICO? MESMO aceitando que mensalão foi compra de votos (e não foi; foi caixa 2), não houve dinheiro público envolvido. Dinheiro público foram os 100 BILHÕES que a privataria custou ao nosso patrimônio. Mas isso esses idiotas preferem ignorar.

Chega uma hora em que isso começa a cansar.

Ok, eu oferecerei alguns argumentos, mesmo que ele não tenha conseguido:

PIB em bilhões de reais
2002 – 1.477
2013 -4.837
Fonte IPEA

Falências requeridas
2002 -19.891
2013 – 1.758
Fonte IPEA

Inflação
2002 – 12,53%
2013 – 5,91%
Fonte IPEA

Desemprego % mês dezembro
2002 – 10,5
2013 – 4,3
Fonte IPEA

Juros selic
2002-24,9%
2013-11%
Fonte IPEA

Divida pública % do PIB
2002-60,4%
2013-33,8%
Fonte ANDIFES

Salário mínimo em reais
2002- 364,84
2014-724,00
Fonte IPEA

Taxa de pobreza %
2002-34%
2012-15%
Fonte IPEA

IDH
2000-0,669
2005-0,699
2012-0,730
Fonte Estadao

Reservas cambiais em bilhões
2002-38
2013-375
Fonte IPEA Banco mundial

Gastos públicos saúde
2002-28bi
2013-106bi
Fonte orçamento federal

Gastos públicos educação
2002-17bi
2013-94bi
Fonte orçamento federal

Risco Brasil
2002-1.446
2013-224
Fonte IPEA

Economia mundial
2002-14a economia mundial
2013-6a economia mundial.

E mais: como lembrou um leitor, entre 1994 e 2002, houve apenas 48 operações da Polícia Federal; entre 2003 e 2012, houve 1.273 operações, com mais de 15 MIL presos. Em 2003, a Justiça Federal tinha 100 varas pelo país; em 2010, já tinha 513.

Às vezes, penso que Lula e Dilma não deveriam ter dado independência à PF e à Procuradoria-geral. Parece que o pessoal preferia antes, quando nada era investigado e ninguém era punido.

Mas nem seria necessário citar todos esses dados. Como lembrou outro leitor, só por ter reduzido a miséria no Brasil PELA METADE este governo já foi revolucionário e mereceria todos os aplausos do mundo.

Em vez disso, porém, sou obrigado a escutar retórica vazia, sem base e calcada no preconceito e no mais intenso elitismo.

E – VEJAM QUE BELEZA – AINDA ME PREJUDICO PROFISSIONALMENTE, perdendo leitores.

“Eu gostaria mais do Pablo se ele falasse só de Cinema”.

E eu seria mais feliz se pudesse fazê-lo. Mas sou cidadão em primeiro lugar. E me recuso a ficar calado e contribuir, por inação, para que o país retroceda nas mãos daqueles que por décadas só se preocuparam em encher os próprios bolsos e em ignorar as necessidades de uma população que merece muito mais do que só uma refeição miserável ao dia.

The Normal Heart e o mundo em 2014

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes, religião | 5 comentários

Ontem, assisti a The Normal Heart, produção da HBO dirigida por Ryan Murphy e baseada na peça homônima de Larry Kramer. Infelizmente, é sintomático que um filme poderoso como este tenha sido produzido para a TV; Hollywood ainda se acovarda diante de temas como os tratados ali. Originalmente encenada em 1985, nos primeiros anos do pânico da AIDS, a peça foi oferecida a estúdios por mais de uma década sem que nenhum deles tivesse coragem de produzir uma versão para as telonas – e isto mesmo com Barbra Streisand, que detinha os direitos de adaptação e encontrava-se no auge da carreira, tentando viabilizar o projeto.

Assim como o excelente Minha Vida com Liberace (que também foi produzido pela HBO quando nenhum estúdio quis financiar o projeto), The Normal Heart é um filme franco sobre a homossexualidade e sobre como o preconceito permitiu que gays morressem aos milhares. Num mundo perfeito, ele seria exibido para os adolescentes nas escolas, servindo a dois propósitos simultâneos:

1) Mostrar como o amor entre duas pessoas do mesmo sexo é natural, doce e tão importante quanto o amor entre duas pessoas de sexos opostos; e

2) Para ilustrar como a incapacidade da sociedade em aceitar o item anterior leva ao descaso que custou e custa a vida de tantos.

Enquanto a AIDS era considerada um problema gay, praticamente nada se fez (o doc ACT UP – Unidos pela Raiva, embora falho, mostra isso bem). E o trágico é que estamos em 2014 e ainda há seres repugnantes como Bolsonaro, Feliciano e Malafaia que disseminam a intolerância e o ódio. E como provavelmente verão nos comentários abaixo, amar e/ou desejar alguém do mesmo sexo invariavelmente provoca respostas raivosas de religiosos que não sabem o que é empatia.

E são estes religiosos, donos de um moralismo deturpado que vê o sofrimento de gays como punição em vez de como a dor de um semelhante, que impedem que obras como The Normal Heart sejam apresentadas aos jovens que poderiam ser salvos por ela. E que barram qualquer iniciativa de humanizar aqueles que são por eles desumanizados.

Pois eu garanto que, se existisse, Deus abraçaria todo tipo de amor e rejeitaria todo tipo de intolerância, preconceito e ódio.

Mas ainda somos primitivos. Discriminamos quem ama e bombardeamos crianças por um pedaço de chão. Tudo em nome de credos irracionais.

Às vezes, bate uma imensa vergonha de nossa espécie.

Olhando para Você

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Curso, Vídeos | 11 comentários

O olhar para a câmera nem sempre tem um só significado no Cinema. Basicamente, podemos dividir estes olhares em três grupos principais:

1) Câmera subjetiva: a câmera assume a posição de um personagem; seu olhar é o olhar de alguém. Assim, quando um indivíduo em cena a encara, está, na realidade, encarando um personagem que se encontra no mesmo espaço que ele. Há tipos de subjetividade diferentes (algo que discuto no A Arte do Filme), mas esta é a mais simples do ponto de vista de linguagem: a perceptual.

2) O olhar para fora de campo: embora o personagem esteja encarando a câmera, esta não representa ninguém. Assim, a pessoa que olha na nossa direção está enxergando algo que se encontra em seu próprio universo diegético e que não podemos ver naquele momento. Algo, não alguém. (Se fosse alguém, claro, voltaríamos ao item 1.)

3) A quebra da quarta parede: o personagem que está olhando para a câmera não a enxerga; ele está, na realidade, encarando o espectador. Está vendo além de seu próprio universo diegético e se comunicando diretamente com o nosso mundo.

O supercut abaixo traz exemplos destes três tipos de olhares para a câmera.

 

(vídeo via Caio Berns)