Homens Negros Não Podem Correr

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Um deles vestia uma camisa do Atlético; o outro, uma camiseta cinza. Ambos usavam bonés. Tinham em torno de 30 anos. Caminhavam por uma rua do Caiçara, em Belo Horizonte, quando viram o ônibus que iriam pegar se aproximando e, num impulso, dispararam em direção ao ponto.

Mal tinham corrido quatro metros quando foram abordados por um camburão da PM e viram armas saindo da janela do veículo e apontadas para suas cabeças.

Eles haviam se esquecido de uma regra básica de nossa sociedade: homens negros não podem correr.

Ao menos, não em público.

Quatro policiais desceram e, com as armas ainda apontadas para os dois amigos, puxaram seus braços com força – braços que os dois sujeitos já haviam levado automaticamente para trás da cabeça.

O motorista do ônibus parou atrás do camburão enquanto os aspirantes a passageiros eram revistados com brutalidade.

Do meu carro, assisti atônito à cena. Inicialmente assustado – não em função dos “ameaçadores” corredores, mas ao ver armas apontadas em público -, logo vi o susto ser substituído por imensa revolta. Era patente o racismo envolvido: fosse eu o homem correndo pela rua, os PMs dificilmente me abordariam daquela maneira.

No entanto, o que mais me doeu não sequer o ato da polícia, mas a reação dos dois amigos: ao verem armas apontadas para seus rostos, eles simplesmente fizeram um aceno negativo resignado com a cabeça, como se dissessem “Não é possível; será sempre assim?”, e assumiram a postura para a revista sem que ninguém ordenasse.

Revistados, entregaram os documentos e apontaram para o ônibus, explicando por que haviam corrido. Os policiais se entreolharam, fizeram um comentário inaudível e atiraram os documentos de volta, quase com desprezo.

Do ônibus, o motorista acenou para os dois amigos num gesto de “venham!” e abriu a porta. Havia esperado por eles ao perceber o que ocorrera.

Também era negro.

Segui com o carro e passei ao lado da viatura. Havia esquecido de prender o cinto de segurança, mas ninguém me incomodou.

O Cinema em 2014

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Como foi 2014 no Cinema:

Melhor que o Filme

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(Esclarecimento ético: Fernando Ceylão é um amigo. Dito isso, como verão abaixo, seu livro é muito foda – algo que pretendo discutir com adjetivos mais elegantes e convincentes do que o que acabei de empregar.)

Em “Melhor que o Filme”, o ator/humorista/roteirista/diretor Fernando Ceylão consegue um feito admirável: cria um livro multifacetado que experimenta não só com diversos gêneros, saltando de textos cômicos a outros mais dramáticos, como ainda brinca com a própria linguagem, fazendo comentários pontuais sobre o próprio texto (como ao manifestar seu prazer ao usar parênteses, por exemplo) e investindo na metalinguagem. Estes exercícios, aliás, já começam na contracapa, que traz a reprodução de pedidos de frases elogiosas para a própria contracapa, e se espalha para as orelhas do volume, que oferecem um conto sobre… orelhas.

O mais notável, contudo, é observar a segurança de Ceylão como contista: aqui, ele assume a voz e a personalidade de uma camisa polo para narrar sua vida na primeira pessoa; ali, adota os clichês tão comuns em matérias “jornalísticas” de veículos como a Caras para criar uma narrativa surrealista com toques de horror existencial ao mesmo tempo em que trata tudo com a superficialidade de uma revista que insiste em informar a idade e a profissão de seus personagens-celebridades. E, no entanto, nada disso soa como experimentação gratuita, já que, alimentando o humor e a lógica dos textos, surgem observações profundamente humanas e universais sobre nossas inseguranças, aspirações e também nossos pontos cegos diante da realidade alheia. Em certo texto, por exemplo (“A Espera”), Ceylão acompanha a ansiedade crescente de uma mulher que aguarda o telefonema de um possível paquera e, num texto que representa a fluidez dos pensamentos da personagem, traz momentos de humor que surgem justamente do reconhecimento de como somos capazes de pensamentos profundamente preconceituosos – e o fato de os rechaçarmos não elimina o fato de que nos ocorreram:

“Eu vou acordar a babá da Clarinha. Vou bater papo com a babá. Perguntar se na comunidade elas fazem alguma coisa pra esperar passar o tempo enquanto o homem não liga. Na comunidade não tem essas frescuras, elas vão lá e dão. A classe média é o problema. Rico e pobre vai e dá, vai e faz o que tá a fim. Até incesto pra eles, é… Ai, que horror.”

A passagem acima é um exemplo perfeito do estilo do autor: não só o uso da palavra “comunidade” é algo empregado com inteligência ao ilustrar a arrogância com que a patroa se apropria de um termo a fim de se sentir inclusiva e tolerante (o que o pensamento seguinte contradiz) como o “Ai, que horror” final escancara sua autocrítica tardia de classe média que adora se enxergar melhor do que é.

Além disso, o livro revela Ceylão como um escritor capaz de construções que – e aqui falo como alguém que vive de escrever – despertam profunda inveja. No conto “Um Romeu Feio”, por exemplo, ele discute seu carinho por “casais feios” (algo que, acreditem, ele desenvolve de maneira tão delicada que jamais se revela ofensivo) e pontua:

“O casal feio atravessa o mundo na calma dos que estão fora da competição.”

E imediatamente entendemos o que ele quer dizer enquanto apreciamos a bela analogia. Da mesma maneira, em outra passagem, ele nos apresenta a um sujeito que, para evitar brigas, deixa a namorada acreditar estar sempre certa – um dilema que ele traduz como:

“É como se eu namorasse um ditador, mas deixasse ele pensar que estamos numa democracia.”

Mas que isto não leve à impressão de que “Melhor que o Filme” é um apanhado de histórias centradas em torno da experiência do autor como homem branco heterossexual (ou seja: um privilegiado por natureza). Sim, em certo momento ele pode discutir como ter crescido na Tijuca moldou sua persona, mas em outros ele assume com naturalidade os pontos de vista de todo tipo de personagem, tratando-os com respeito e complexidade.

Enquanto desperta o riso.

Depois deste livro, Fernando Ceylão já pode seguramente acrescentar “Autor” aos vários substantivos separados por barras que abrem este texto, pois fez por merecer.

Melhor que o Filme, Fernando Ceylão
Memória Visual, 2014
174 páginas

Interestelar e a Exploração Espacial

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Supercut.

Muitos Ones

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Não sou um grande conhecedor de teoria musical, o que me entristece. Eu gostaria de entender mais sobre estrutura melódica, interações de instrumentos na harmonia, influências e por aí afora, mas sou um completo leigo no assunto.

Uma das coisas que mais me fascinam, aliás, é observar como a mesma canção se transforma em tom, atmosfera e personalidade dependendo da versão e da persona artística de quem a executa – algo que podemos observar, na prática, ao compararmos as várias versões de “One”, composta por Harry Nilsson em 1968 e que se tornou particularmente célebre ao ressurgir na voz de Aimee Mann na trilha de Magnólia.

Abaixo, busquei colocar algumas das principais versões em ordem cronológica:  Leia mais

Quantas vezes os pais de Bruce Wayne terão que morrer?

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Supercut.

Dialogando com uma Coxinha

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Infelizmente, nem sempre a conversa é tão… produtiva. Às vezes, alguém se dá ao trabalho de criar um perfil falso só pra enviar isso:000ameaça

Analisando imagens e a diferença entre números e pessoas

postado em by Pablo Villaça em Política | 5 comentários

Como alguém que vive de analisar imagens, devo dizer que fiquei profundamente encantado com duas delas que vi nos últimos dias. A primeira aconteceu durante uma entrevista que Lula deu a Mino Carta: enquanto falava sobre como aqueles que antes só podiam viajar de ônibus agora conseguem pagar passagem de avião, Lula leva as mãos à cabeça numa empolgação tão grande, quase infantil, que expõe uma felicidade incontida diante da constatação. Isto me encantou especialmente porque sei como é raro (muito raro) ver alguém com a trajetória e a experiência dele ainda se mostrando capaz de se empolgar tanto com a alegria do homem do povo. (O momento está aos 8:35: https://www.facebook.com/video.php?v=709568759129502)

Já a imagem de Dilma foi uma foto na qual, durante um ato público, ela surge abraçada por uma senhora no meio da multidão. Aliás, “abraçada” não é o termo exato: a senhora em questão praticamente dá uma chave de braço em Dilma enquanto, com a mão livre, segura um celular para tirar uma “rousselfie”. (Quando vi a foto no Twitter, a legenda brincalhona dizia: “EU PAGO MEUS IMPOSTOS E A SENHORITA VAI TIRAR FOTO COMIGO SIM!!!”)

O que me cantou nesta foto (http://i.imgur.com/D4KERhj.jpg), aliás, nem foi a proximidade da presidenta com o povo – uma proximidade que vocês não vêm na outra candidatura -, mas um fato muito revelador: enquanto toma a chave de braço, Dilma… sorri. Não há medo ou desconforto em seu rosto, mas um sorriso por estar recebendo aquele gesto tão… firme… de carinho.

E são esses detalhes, que surgem na espontaneidade e no calor do momento, que revelam muito sobre Lula e Dilma e o tipo de líderes que são.

O que me traz a um segundo ponto.

Como alguns de vocês talvez saibam, sou filho e sobrinho de pessoas que lutaram contra a Ditadura. Cresci ouvindo as histórias das barbaridades cometidas naquele período contra jovens que lutaram para que hoje outros jovens tivessem a liberdade, inclusive, de ofender a presidenta usando termos incrivelmente baixos. Cresci vendo pessoas que eu amava carregando sequelas físicas, psicológicas e emocionais das torturas. E cresci também num país de desigualdades que trazia capas de jornais falando da fome, que era considerado um problema insolúvel, e exibindo fotos de crianças subnutridas e à beira da morte.

E lembro de minha mãe discutindo aquelas questões comigo e me ensinando algo que nunca esqueci: que, ao ler notícias falando de “milhares ou milhões de miseráveis e famintos”, nunca me esquecesse de que aquelas estatísticas representavam pessoas. Ela me ensinou que muitas vezes, quando a imprensa traz estes números, tendemos a nos esquecer de não são só números,

E é por isso que quando li a notícia de que o Brasil havia saído do Mapa da Fome da ONU pela primeira vez, chorei.

Chorei de alegria por saber que aquela não era mais a realidade de milhões e milhões de pessoas.

Chorei por saber que meus filhos vão crescer num país melhor do que aquele no qual cresci.

E chorei porque lembrei do que minha mãe me ensinou e percebi que se o Brasil mudou é porque finalmente tivemos, em Lula e Dilma, presidentes que sabem que por trás de cada estatística e de cada número há uma vida, uma pessoa, um brasileiro.

Carta Aberta a Quem Tem Menos de 25 Anos

postado em by Pablo Villaça em Política | 27 comentários

Uma Carta Aberta a Quem Tem Menos de 25 Anos Escrita por um Tio Preocupado (Não o “Tio” do Jornal Nacional, que é Daqueles Que te Constrangem nas Festas com um Papinho Preconceituoso, mas o Tio que Usa Tênis, Calça Jeans Puída e que te Constrange nas Festas Porque Insiste em Conversar com Seus Amigos Como se Fosse da Turma.)

Li esta semana que Aécio tem tido uma boa votação entre os jovens de 18 a 25 anos de idade e fiquei espantado. A juventude é a época do pensamento no coletivo, do idealismo, da generosidade. É a época em que tendemos a pensar mais no mundo do que no umbigo. É a época em que o sofrimento daquele mendigo pelo qual passamos na rua dói e sentimos o impulso de erguê-lo, de alimentá-lo, de agasalhá-lo. É só com o passar dos anos que começamos a tender a um foco mais individualista: pensamos nas nossas contas bancárias antes de fazermos uma doação. Nem todos passam por esta transformação (felizmente), mas a tendência geral é esta.

Assim, como é possível que tantos de nossos jovens já estejam iniciando a idade adulta com um pensamento tão conservador? O pensamento de que o “mercado” importa mais do que as pessoas? O pensamento de que o conteúdo do iPod é mais importante do que o conteúdo da alma (e uso alma como metáfora)? O pensamento de que poder escolher o tipo de iogurte é… nem sei como completar esta frase. Que tal… “minimamente relevante”?

E aí fiquei pensando. O que pode ter acontecido pra que esse conservadorismo aparente tivesse tomado conta da juventude? Seriam os novos jovens mais egoístas do que os da minha época?

Claro que não. A juventude respira generosidade se tiver permissão e contexto.

É isso. Faltam permissão e contexto.

Um tiquinho de paciência e já explico.

A falta de “permissão” vem da mídia e da despolitização. Os jovens abaixo de 25 anos cresceram com uma mídia cujo conservadorismo já resultou em críticas até do Reporters Without Borders (1) e que insiste em transformar qualquer denúncia, por menor que seja e por menos provas que tenha, em um escândalo inquestionável. Às vésperas da eleição de 1989, por exemplo, os jornais relacionaram o PT ao sequestro de Abílio Diniz, comprometendo a vitória da esquerda, mas mais recentemente, na última eleição presidencial, podemos encontrar um exemplo claro no caso Erenice Guerra, próxima de Dilma, que foi massacrada pela Globo e pelos jornais durante semanas, acusada de todo tipo de ato de corrupção imaginável. Erenice que depois foi, vejam só, inocentada. O mesmo ocorreu com o ex-ministro Orlando Silva. E com Luis Gushiken. E, ESTA SEMANA, com José Luis Dutra, que a Folha acusou numa matéria de ter sido “denunciado” por Paulo Costa apenas para, no dia seguinte, publicar uma pequena errata dizendo que haviam errado e que Dutra nada tinha a ver com o caso.

Com isso, a mídia criou uma impressão de corrupção generalizada – mas só do lado que a interessa, já que sempre ignora qualquer denúncia contra a direita (cartel do metrô em SP, falta de planejamento da SABESP, mensalão tucano, compra de votos da reeleição de FHC, máfia dos sanguessugas, etc.). Aliás, quando noticia algo, é pra aliviar a barra: esta semana, o Jornal Nacional anunciou que a Procuradoria Geral da República arquivou denúncias contra Aécio no caso do aeroporto em Cláudio – mas deixou convenientemente de informar que a PGR disse apenas que não havia indícios de ilícito em esfera FEDERAL e que, por isso, encaminhou a denúncia pra Procuradoria Geral do Estado por ver indícios de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA por parte do governo de Aécio.(2)

Assim, como a juventude pode se sentir livre para defender o projeto do governo se este é constantemente rotulado pela mídia brasileira como “o mais corrupto da história”? Um governo que, vejam só, criou diversos mecanismos justamente para investigar, coibir e punir a corrupção? (3) Com isso, só resta a opção de defender a oposição, cujos desmandos são varridos para debaixo do tapete, embora sejam inúmeros, de vulto infinitamente maior e, ao contrário do que ocorre com o governo Dilma, JAMAIS investigados apropriadamente.(4)

Isto tem um nome: despolitização. A mídia atira termos como “bolivarianismo” e “Foro de São Paulo” na cabeça do público e passa a vê-lo reproduzi-los sem terem ideia do absurdo que dizem. Como aqueles que afirmam, sem hesitar, que o filho de Lula se tornou multimilionário e é dono da Friboi, duas mentiras que, de tanto serem repetidas, se tornaram mantra de vários eleitores da oposição.

Já o segundo elemento que torna nossa juventude conservadora é o contexto. Ou melhor: a falta de. Quem tem menos de 25 anos cresceu num país pós-Lula. E, assim, se acostumaram a um país com problemas infinitamente menores do que aqueles que eu vi ao crescer. É uma juventude que compreensivelmente quer melhorias constantes, mas à qual falta a compreensão de que 500 anos de injustiças não são corrigidos em apenas 12 anos. É uma juventude que nunca leu nas capas de jornal que a fome estava matando um número trágico de crianças, que não viu milhares de indivíduos com curso superior fazendo fila pra um concurso de gari numa época em que o Brasil era o 2o pais do mundo em DESEMPREGO, que não viu os juros dos bancos atingirem 79% ao ano, etc, etc, etc. (5)

Infelizmente, estes jovens não se lembram de como o Brasil era antes da era Lula-Dilma. Mas eu lembro. Lembro do Plano Cruzado com suas donas-de-casa fiscais de preço; do confisco da bolsa; dos apagões de FHC e sua dependência do FMI (6). Lembro de quando FHC obrigou o país a racionar luz (7). Lembro da falta de oportunidades na educação pública (8). Da falta de universidades (9) (que poderia ser pior; já que ele cogitou acabar com as públicas) (10). Lembro da inflação (que tantos dizem que FHC controlou, mas que na realidade subiu descontroladamente no seu mandato).(11) Lembro da compra de votos pra reeleição (200 mil/deputado). (12) Lembro dos grampos telefônicos na era FHC.(13) Lembro do Engavetador-Geral da União, que, ao contrário do que ocorre hoje, não permitia que as denúncias fossem investigadas.(14) Lembro do vexame da “festa” dos 500 anos.(15) Lembro do 1,6 BILHÃO que FHC deu ao Marka/FonteCindam (e lembro do Cacciola).(16) Lembro do filho de FHC e seu envolvimento com a EXPO 2000.(17) Lembro do massacre no Eldorado dos Carajás.(18) Lembro da dengue descontrolada.(19) Lembro dos reajustes de 580% na telefonia.(20) Lembro do PIB ridículo.(21) Lembro dos mais de 2 BILHÕES de fraude na SUDAM de FHC.(22) Lembro de FHC chamando aposentados de “vagabundos”.(23) E o povo brasileiro de “caipira“.(24). Lembro de como Aécio, ao contrário do que afirmou recentemente, votou contra o aumento real do salário mínimo.(25) Lembro de como Aécio sabotou CPI sobre a má gestão tucana da Petrobrás em 2001, que resultou no afundamento de uma plataforma.(26) Lembro de Armínio Fraga, que Aécio anunciou como seu ministro da Fazenda, dizendo que o salário mínimo está alto demais.(27) Lembro de quando Armínio era presidente do Banco Central e elevou os juros básicos de 37% para 45%.(28)

Lembro, enfim, muito bem de como era este país até 12 anos atrás. Esta é a questão: não falo tanto de política porque gosto. Ao contrário: me dá dor de cabeça, me faz perder leitores e me prejudica profissionalmente.

Eu falo tanto de política porque preciso. Tenho dois filhos. Não quero pra eles o Brasil no qual cresci. Não quero retrocesso. E é por esta razão, por saber que tenho tantos leitores jovens, que me sinto na obrigação de passar a eles um pouco do que vivi e testemunhei. Porque acredito na generosidade da juventude e acredito que, quando forem lembrados de como este país era e do que se tornou, votarão com a consciência de que, depois de 500 anos de miséria e fome, os últimos 12 anos viram uma redução de 75% na pobreza extrema (imaginem isso!)(29), viram o Brasil sair PELA PRIMEIRA VEZ do mapa da fome da Onu (30) e também viram nosso país ser premiado por três iniciativas públicas pela mesma ONU (31).

E trazer estas informações para nossos jovens, em vez de apenas bombardeá-los com factóides e denúncias que sempre parecem surgir magicamente nas vésperas da eleição, não é ativismo político; é apenas ser responsável como cidadão.

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FONTES:
1. http://articles.latimes.com/2013/mar/03/world/la-fg-brazil-hostile-media-20130304
2. http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/10/pgr-arquiva-representacao-contra-aecio-por-construcao-de-aeroporto.html
3. https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/576172119154685
4. http://top10mais.org/top-10-maiores-crimes-de-corrupcao-no-brasil/
5. http://fhcnao.blogspot.pt/2014/10/como-era-o-brasil-no-governo-do-psdb.html
6.http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u53074.shtml
7.http://www.ailtonmedeiros.com.br/o-racionamento-de-energia-na-epoca-de-fhc-segundo-a-veja/2013/01/14/
8.http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Educacao/Educacao-superior-em-Lula-x-FHC-a-prova-dos-numeros/13/16291
9.http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2014/05/governos-pt-criaram-18-universidades.html
10.http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/05/15/fim-da-universidade-publica-fhc-obedeceu-ao-fmi/
11.http://www4.cinemaemcena.com.br/diariodebordo/?p=3782
12.http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/palmeriodoria.html
13.http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_grampo_do_BNDES
14.http://socialistamorena.cartacapital.com.br/nos-tempos-do-engavetador-geral-refrescando-henrique-cardoso/
15.http://ocarlismo.blogspot.com.br/2012/10/acm-e-o-vexame-da-festa-dos-500-anos.html
16.http://www.midiaindependente.org/pt/red/2012/11/513752.shtml
17.http://www.dgabc.com.br/Noticia/160639/fhc-diz-que-gasto-de-rs-10-mi-em-hannover-e-modesto-?referencia=navegacao-lateral-detalhe-noticia
18.http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Eldorado_dos_Caraj%C3%A1s
19.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff120101.htm
20.http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/60/materia/4561
21.http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/desconstruindo-fhc
22.https://www.dgabc.com.br/Noticia/182029/fhc-extingue-sudan-e-sudene-mas-investigacao-continua-?referencia=buscas-lista
23.http://www2.uol.com.br/JC/_1998/1205/br1205n.htm
24.http://www.quemdisse.com.br/frase.asp?frase=60989
25.http://www.viomundo.com.br/denuncias/maximiliano-garcez-aecio-votou-sim-contra-aumento-salario-minimo.html
26.http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2014/10/aecio-forca-campanha-com-petrobras-mas-abafou-cpi-do-naufragio-da-plataforma-p-36-5393.html
27.https://www.youtube.com/watch?v=kIiHuNM-jl0
28.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi05039906.htm
29.http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2014/09/16/brasil-reduz-a-pobreza-extrema-em-75-diz-fao.htm
30.http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/sair-do-mapa-de-fome-da-onu-e-historico-diz-governo
31.http://www.onu.org.br/tres-iniciativas-brasileiras-vencem-premio-global-da-onu-de-servico-publico/

Festival do Rio 2014 Dia #08

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Abraço aos leitores Neylan, que foi extremamente gentil ao vir conversar comigo antes da sessão de “Solness, o Construtor”, e Maurício, que me cumprimentou afetuosamente no Espaço Rio.

Dito isso, peço perdão, mas não escreverei sobre os filmes de hoje. Não fiquei particularmente empolgado com nenhum dos três que vi e, como estou bem cansado (como verão no vídeo), optei por me dar esse mimo de ir dormir mais cedo. Em vez disso, falarei sobre os três apenas no vídeo mais abaixo:

28) Acorda, Nicole (Tu dors Nicole, Canadá, 2014). Dirigido e roteirizado por Stéphane Lafleur. Com: Julianne Côté, Claudia-Émilie Beaupré, Marc-André Grondin, Francis La Haye, Simon Larouche. (3 estrelas em 5) 

29) Campo de Jogo (Idem, Brasil, 2014). Dirigido por Eryk Rocha. (3 estrelas em 5) 

30) Solness, o Construtor (A Master Builder, EUA, 2014). Dirigido por Jonathan Demme. Roteiro de Wallace Shawn. Com: Wallace Shawn, Julie Hagerty, Lisa Joyce, Larry Pine, André Gregory, Jeff Biehl, Emily Cass McDonnell. (3 estrelas em 5)